Trivia Philosophica

Ciência - Filosofia - Religião

jul

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VENDENDO ESPERANÇA

por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Embora “esperança” seja produzida sem limites pelo individuo que deseja tê-la, sua venda é anunciada pelas mais insuspeitas fontes da sociedade. As igrejas tradicionalmente a vendem ao povo e arrecadam milhões de moedas que são empregadas para ampliar suas capacidades de venda.

Ontem ouvia por alguns minutos um pastor na TV Bandeirantes. Vendia a salvação da alma. Todas as igrejas ocidentais fazem isso. Aprenderam com as orientais, que são mais antigas nessa prática. O fato é que ter sucesso na venda de esperança é uma busca incessante em mais de 50% de todos esforços de venda. Ela não é uma mercadoria, pois o individuo que a compra já a tem ou pode ter na quantidade que desejar, sem nada dar em troca. Também não é uma abstração, porque não pode ser inventada por quem a quer ter. Diferentemente de desejo, que requer um objeto dele, a esperança pode ser vaga ou imperfeitamente caracterizada. Apesar dessa virtualidade, a esperança é vendida, como se concreta fosse.

Às crianças dizemos para terem esperança no futuro, aos velhos que sonhem com uma vida longa, e aos crentes, que verão a Deus. Todos esperamos que nossos sonhos se realizem. A esperança é a última que morre, dizem. Mas, por que somos tão obcecados em ter esperança? Seria por que a vida está no futuro e dele pouco sabemos? A esperança é de um amanhã igual ou melhor. A esperança está sempre no futuro. Não esperamos o hoje, sabemos existir. Não cabe no que está acontecendo. Ela tem a ver com o desconhecido, com o nosso descontrole dos eventos.

Não somente a boa ventura esperamos do futuro, esperamos saber controlar os obstáculos à nossa felicidade. Talvez por isso esperança tenha que ser vendida.

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