por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.
Diz-se que somos eficientes quando fazemos o que precisamos com o menor custo e no menor tempo. E, que, somos eficazes quando somos eficientes e atingimos o que desejamos. Um problema com a eficácia é a mudança no desejo. Não somos eficazes hoje quando o que desejávamos era para ser feito.
Em princípio, tudo que conseguimos fora do tempo desejado não é eficácia. É claro que não sendo eficiente, não conseguimos ser eficaz. Tire o desejo e a eficiencia depende apenas de capacidade mental ou técnica. Seria o melhor uso da mente atingir a satisfação do desejo? Ou seria o melhor uso da mente ser apenas eficiente?
Quando desejo o que está além de minha capacidade de realização, sou incoerente. Ser incoerente é não estar inteiro, isto é, não estar completamente dedicado a um objeto de busca. O que quer que buscamos sem nos dedicar inteiramente não é são, é doente.
O principio da eficacia é que não se pode ser parcial no que se quer. Cada desejo tem que ser inteiro ou não é desejo. Então, o que é? É apenas um anelo, um anseio, uma aspiração. Realmente não precisamos de que se realize. Desejo pela metade não é.
Ninguém vive eficazmente, isto é, atingindo o que deseja. Não por que não seja possível. É por que metas e desejos são móveis. E, somente crescemos se forem. Então, ser eficaz no viver é outra coisa. É apenas eficiencia, ou atingir o que desejamos com o mínimo esforço e com o mínimo custo. Somos eficientes quando produzimos uma página como esta em menos de uma hora e sem nenhum sacrifício. Se ela acaba sendo o que desejamos ou não depende do que desejamos antes, durante e depois. Sendo o desejo móvel, podemos tê-lo quando nos apraz ou quando suscitado. Não sei o que me apraz, mas, às vezes, sei o que não. Penso que nunca fui eficaz em nada. Desejos cambiantes não nos tornam eficazes, que é coisa de gente com desejo fixo, determinado. Por isso, penso que ainda não soube viver. “Que saiba morrer o que viver não soube”.
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