Trivia Philosophica

Ciência - Filosofia - Religião

jan

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APATIA

por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

A apatia, segundo sua derivação grega, é uma ausência de sentimento ou emoção. Há pessoas para quem um certo grau de apatia é natural: são os “chumbosos”, pesados e passivos consumidores, para os quais nada parece ser bastante interessante. Eles não são apenas calmos, mas desistentes de tudo e de todos. A calma pode ser um resultado de força, coragem ou confiança. A apatia deles é o resultado de torpor ou de fraqueza. Esta apatia é quase uma doença. Não é a ela a que me refiro. Aqui falo de uma apatia que é sinônimo de indiferença. Com ela se dá, em vez de se ter estresse.

Sob o ponto de vista da filosofia estóica, a apatia a que me endereço é quase um estado desejável, se não se sofre com ela. É a liberdade de paixão, excitamento ou emoção. Epicuro nos recomendava essa falta de sentimento para pensarmos melhor, para vermos mais claramente as coisas e os comportamentos. Não é fácil.

O método científico, de certa forma, fica mais forte quando os pesquisadores são, neste sentido, apáticos aos fenômenos que observam. Shakespeare nos falava de algo parecido quando disse que não conseguia distinguir a honra em um olho e a morte no outro. Um desconhecido J. P. Senn sugeriu uma vez que nada preserva mais o corpo que não sentir o coração. Somos realmente muito fortes quando somos indiferentes aos pruridos das emoções primárias. Um tal de Ouida disse que a indiferença é o gigante invencível do mundo. Dessarte se torna samurai ou yogue, ascético e sábio.

Entretanto, o lado negativo da apatia, ou da indiferença, é que com a ausência de sentimento também desaparece o interesse. Este é a mola propulsora da busca de ser e de ter. Quando não buscamos, não mudamos nem fazemos mudar. A vida sem transformação em nós, e nas coisas que nos afetam, é inútil à sociedade. Aí está o principal problema da apatia, fora da investigação científica.

A apatia que gosto de ter é o desinteresse pelo que está aí acontecendo aos indivíduos e nos eventos; por aquilo que qualquer um é capaz de apanhar e ter; e por aquelas poucas coisas que muitos podem ter sem merecer. Gosto da apatia que nos faz aborrecidos com o comum, e que nos faz fugir para o extraordinário.

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