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jun

29

O QUE JÁ APRENDI SOBRE ENVELHECIMENTO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Imagino que cada um de nós envelhece em seu próprio estilo. Há uns que envelhecem aprendendo e outros que envelhecem sofrendo. São dois grandes grupos de envelhecentes. Acredito que pertenço ao primeico grupo. O que já sei é que membros do primeiro grupo tomam vinho tinto (resveratrol) diariamente. É claro, outros cuidados com a saúde durável, como exercícios matinais e dieta orientada para restrição calórica são também importantes.

Além disso, o envelhecimento produz mudanças em comportamentos e atitudes frente aos eventos correntes. Não existe droga que mude comportamento. Você é quem tem que descobrir os comportamentos e atitudes mais conducíveis a uma vida saudável, incluindo relacionamento com seus mais próximos. Há vários fatores a considerar. Sua mulher, por exemplo, é um fator crucial. Começamos a de fato envelhecer aos sessenta. Ela já estará mais ou menos em seus cinquenta. De acordo com a genética de cada pessoa, aos cinquenta começamos a manifestar idiossincrasias. Estas nos fazem reagir às interações com outras pessoas de maneira muito pessoal. E pouco nos importam as consequencias. Achamos que já vivemos o bastante para saber quais consequencias toleramos. A pessoa consorte é a principal alvo dessas idiossincrasias. Quando a intolerancia a elas é baixa, são toleradas até a morte de uma ou de outra pessoa. Quando a intolerancia é alta ou explosiva, ela separa o casal no declínio, quando nenhum dos dois sabe mais como viver sozinhos. Então, a estupidez vai às últimas consequencias. Então, dois novos sofredores se agregam aos demais desajustados do desequilibrado mundo. Todavia, quando a tolerancia por uma razão ou outra se torna um modus vivendi então, aos trancos e barrancos se vai vivendo, gozando ou sofrendo os melhores períodos da vida a dois. Tolerar quer dizer carregar o peso. Temos que escolher entre tolerar e largar o peso. Quando largamos o peso, jogando-o ao chão do ilusório alívio, perdemos o lastro do passado vivido em conjunto, sem ele.

jun

29

RANDOMNESS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

My life has been an experience in randomness. I believe randomness can produce attractive lives more easily than those planned. Lives that have been carefully planned follows a popular pattern. Nothing really new happens to them. Fortuna extollit plus, quam sapientia natos. Luck is more important than wisdom in the river of life. If you follow a pattern you don´t feel happiness when it comes. It is taken for granted. It doesn´t change you.

Qualquiera cosa que no cambie usted es de poco effecto. Hay que sufrir para captar el azar.

Tenho observado que o acaso e suas consequencias dirigem dois terços de nossa vida. Somente somos naturais (individuais) em um terço dos eventos que nos afetam. 66% deles são ditados pelas circunstancias e por outros. A vida em ramdomness é a que nos individualiza. A vida que não nos individualiza é de todos: um coletivo de ratos ou de peixes. O destino de um é o destino de todos. Triste sina! Para ser coletivo não precisaríamos ter nascido individualmente. O ramdomizado cuidaria de nossa meta e nele não há meta, não há individualidade.

Randomness é o caos. No caos todos os destinos são semelhantes. That´s what happens when you don´t know why are you here for. Somente a ciencia pode esclarerecer esse conundrum. Por isso, celui qui sait où trouvé la science s´assemeille a celui qui la possède. Destarte, o fundamental não é ter ciencia, mas saber onde ela está. E aí o acaso cede lugar ao conhecimento. Com ele controlamos o randomness.

jun

22

CULTURA INTERNETIANA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Cultura é o estado de desenvolvimento de um grupo, um povo, uma nação, que resulta do aprimoramento de seus valores, instituições, criações, etc. Ela não se obtém através de internet ou de casuais encontros com definições. Inteligencia é necessária, mas não suficiente para se ter cultura. Ela é o bolo essencial à nutrição da mente. Dicas obtidas através da internet são apenas enfeites do bolo. Ninguém se torna culto através delas. Quando muito atento, alguém pode tornar-se medianamente informado, culto jamais. Ser informado não é ser culto.

Cultura implica em se ter pelo menos 18 anos de estudos regulares, além da dedicação às novidades linguísticas e do assunto pertinente à própria área. Quê a casca jamais substitua o fruto ou menos o seu suco. Novidades em qualquer assunto nada mais são que o sumo de uma laranja, sem sua substancia. A mente escrupulosa do que sabe não substitui o sumo dela pelo fruto. Perde-se muito! A cultura não se improvisa com mera aplicação da inteligencia. Todos somos em algum grau inteligentes, é a cultura que nos distingue do animal esperto. A cultura internetiana é superficial e traduzida. Não é cultura, é informação – o nível primário de qualquer cultura. Sem desenvolvimento acumulado, não há cultura. Ela não se improvisa. O fato de você ter 30 ou 40 anos de cultivo da inteligencia não lhe dá cultura. Esta depende dos fundamentos culturais que os antecederam. Um Ph.D. precisa de 18-21 anos de estudos, ouvindo aulas, fazendo todos os trabalhos, as leituras, e passando em todos os exames para conclui-lo em qualquer disciplina. Fora disso, é bisonhice de mentes sonhadoras. De invencionices acadêmicas. Não é à toa que os profissionais brasileiros precisam de um ano de estudos para começar o curso que pretendiam fazer nos Estados Unidos, Alemanha ou Inglaterra. A frouxidão do nosso ensino superior não dá cultura. Dá apenas o verniz da construção que se pretendia. Praza a Deus que se não abuse entre os intelectuais da pretensão de se considerarem cultos ainda verdes para ostentar cultura.

jun

21

INTERNET, CELULAR, CONTAINERS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Como estes tres substantivos comuns preenchem minha vida? Lazer e viver estão intimamente ligados com eles. A internet me satisfaz as curiosidades simples. O telefone celular me contata com minhas filhas ausentes de onde vivo e quiçá de mim. Os containers me trazem o que preciso consumir para continuar usando os outros dois. Os três são meios de existencia para minha vida corriqueira. A internet me proporciona informações de toda ordem; o celular me serve principalmente para ser contatado; e os containers trazem a tecnologia que permite o usufruto de outros dois. Mas, afinal, para que essencialmente servem esses três meios de existir? Nenhum deles me traz grandes efeitos. O que produzo ainda produz insuficientemente para minha sede de existir a posteriori. O uso da internet tem sido util, mas não posso medir o impacto da utilidade. O que não atinge a consciencia do próximo tem existencia tenue. Tenho sido esforçado, mas o esforço retarda o parto (echinus partum differt). Minhas centenas de TRIVIAS têm merecido insuficiente análise. Meus vinte anos de ensino em pós-graduação evanesceram. É da internet não dar ecos. Seu maior defeito. O celular foi criado para pessoas com muita interação. Para pouco serve para o homem reduzido a poucas conexões. Effectus in omnibus consideratur. Sem efeito, nenhuma interação é útil. Containers é o mais eficiente, embora o mais anônimo. O que me trazem não transformo. São feitos para grandes cidades. Magna civitas, magna solitudo. Quanto maior a cidade, maior a solidão. Esses três substantivos preenchem minha existencia e a deixam ao mesmo tempo vazia.

jun

15

COITUS MAXIMUS VESPERTINUS ADJUVAT CONCILIACIONES

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Todos sabem que a cópula em qualquer hora do dia passa ferro na roupa amassada nas brigas do casal. Isso os humanos aprenderam com o mais inteligente da espécie chimpanzé chamado de bonobo. Os bonobos resolvem as brigas e desentendimentos entre eles trocando as fêmeas. A prática do sexo é um natural apaziguador. Entre os humanos não é diferente. É uma pena que normas sociais oriundas da preocupação com a origem dos rebentos bloqueiem essa prática entre casais que se desentendem. O coito é um pacificador. Nada seria mais eficaz em qualquer hora do dia. Ninguém consegue brigar e trepar ao mesmo tempo. A briga pode vir antes, jamais durante ou depois de um satisfatório coito. Se não podemos repetir os bonobos, aceitemos esta regra. O melhor horário para o coito conciliador é à tarde: apaga as brigas da manhã e abre a alegria pra noite. Deve ser por isso que as fugas do trabalho de amantes se dão à tarde. Após a siesta nenhuma tesão é mais forte. A mulher, naturalmente, acha incômodo tal período, até que aprenda a conciliar e deixar alguns 20 minutos para essa fonte de alegria.

Filosofando um pouco, pode-se dizer que pela manhã o corpo está forte para o trabalho e à tarde para o prazer; à noite para ler, refletir e escrever; e o restante dela para dormir. A cópula é a suprema recompensa pela tentativa de povoar o mundo; plano maior do Criador. Seguir esse plano é a mais reveladora expressão de que O obedecemos.

jun

14

PRAEDATORIUS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Um animal predador caça, submete, e devora a presa mais fraca. Mutatis mutandis, o homem é predador quando conquista e tira vantagem do semelhante menos esperto ou menos sabido ou menos desenvolvido no assunto em questão.

Nesse sentido, o político ganancioso de votos é um predator por excelencia. Para aplicar sua nefasta arte, ele busca eleitores simples de regiões menos desenvolvidas. Há pouco valor em ganhar a aprovação de ignorantes das implicações de um programa de governo e de suas consequencias para a sociedade. Num processo político ideal, o eleitor somente poderia votar se demonstrasse saber através de um teste as potencialidades do político que lhe pedisse o voto para realizar o que promete. O sufragio universal estaria fora de moda nesse processo. É evidente que a ignorancia do eleitor é o maior cabo eleitoral da maioria dos candidatos. A Lei dos Grandes Números tem seus limites de consciencia e decencia. O político aliciador é um predador no processo eleitoral. Os juízes eleitorais deveriam saber disso. Predadores na Natureza buscam caçar presas com menores cérebros. Políticos predadores não fazem outra coisa para ganhar eleições. Assumindo que eleitores ignorantes dos problemas nacionais são as presas mais fáceis, políticos predadores vão buscá-los nas regiões menos desenvolvidas do país. Outras conquistas em regiões mais desenvolvidas acontecem porque cocada vem de coco e coco vem de coqueiro. Mas, o político predador fica devendo explicações ao povo que governará. Uma questão a ser desenvolvida pelo Tribunal Eleitoral é qual o percentual de votos conquistados nas regiões mais desenvolvidas?

jun

8

DERROTA DA SELEÇÃO NACIONAL

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Derrota da seleção brasileira seja contra Espanha, Argentina ou outra nação na Copa de junho é uma vitória para o futebol. A continuidade excitante de um esporte internacional depende da variedade dos ganhadores. A contínua dominancia da seleção brasileira torna o futebol menos e menos atraente para outras nações. Ainda não foi, mas um dia pode ser o declínio do interesse pelo futebol em outras nações. Este interesse em termos mundiais é mais importante para o destaque do esporte que mais uma vitória esperada e repetitiva. Gostaria que um país africano vencesse nesta Copa 2010. O futebol continuaria atraente a todas as nações. É mais importante a atração contínua de todas nações pelo futebol que a glória do hexa para o Brasil. Gostaria de ver maior número de nações sonhando com o título de campeão mundial. A dominancia do Brasil vai tornando cada vez mais essa atração. Logo tentarão inventar um outro esporte em que os mais fracos tenham igual chance. Então o futebol ficaria menos internacional. É mais importante salvar o esporte que a glória repetitiva de uma só nação. Afinal o futebol é internacional ou é propriedade do Brasil? Concordo que todas as nações devam aspirar a um título difícil. Mas, a repetição quase constante de qualquer o diminui, porque reduz interesse na competição. Quando jogava ping-pong não mais conseguia parceiros entre o reduzido número de amigos que desejavam disputar comigo. Perdi eu e perderam os amigos com a oportunidade de jogar. Qual o interesse de vencer sempre? Em pouco tempo já não tinha parceiros e minhas habilidades foram diminuindo. Deve ser assim que um esporte perde a evidencia. Não convém à pessoa e não convém ao esporte.