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abr

29

MENSÁRIO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Ter nascido para viver, produzir e gozar a vida é importante demais para se celebrar apenas aniversário. Um ano de espera para celebrar tal evento é tempo demasiado longo. No meu caso, celebro o mensario no dia 28 de cada mês. Se houvesse 28 horas no dia, celebraria diariamente. Meu nascimento enriqueceu meu mundo e criou para meus rebentos vários mundos. Seria improprio celebrar tal evento apenas uma vez por ano. Todos os dias 28 de cada mês como o de hoje me regozijo de haver nascido. É o meu mensario. Não entendo como nada se celebra no mensário. Eu celebro. Nos dias 28 de cada mês renovo meus votos para ser melhor pessoa. Prometo prestar menos atenção a mim mesmo e mais às pessoas que influencio de alguma forma; prometo me preocupar mais com oportunidades de ser útil que resolver meus problemas; prometo ouvir primeiro e falar depois; no dia 28 decido não criticar ninguém que se encontre no meu dia-a-dia; confirmo meu propósito de não falar mal de ninguém, nem mesmo daqueles que falaram mal de mim; prometo não me queixar de nada que me incomode; e, acima de tudo, prometo fazer um ato de bondade a quem quer que seja. Nos dias 28 de cada mês fico buscando em mim alguma qualidade que consegui ao longo de tantos anos. Faço no máximo silencio um chatauquah –um longo discurso filosófico narrando minha vida recente. O meu mensário me é muito importante, talvez mais que o aniversario. Nele lembro mais claramente o que já aconteceu. Um problema com aniversario é que tendo passado tanto tempo lembramo-nos pouco da vida que produzimos e de cujos frutos usufruimos ou padecemos. O mensário tem a vantagem de sermos honestos quando o celebramos. Nada se nos escapa do que fizemos e quereríamos ter feito e não pudemos. É a grande vantagem de se celebrar mensário. Dá-nos a chance de auto-correção. Se não nos corrigimos na celebração de nosso nascimento, quando vamos?

abr

26

A ALEGRIA DE PERDER

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Todos querem ganhar, e a alegria de perder fica para poucos. Sou um dos privilegiados. Sem pretender ser mais filósofo do que já me considero, há uma indisfarçavel alegria no perder o que não lhe faz falta e favorece quem ganha. Em primeiro lugar, não se tem numerosos competidores na pretensão. Esquecemos mais rapidamente da vitória que da derrota. Entretanto, ambas são valiosas experiencias. A derrota é amarga mas fica lhe ensinando; a vitória é doce mas se a esquece quando ainda mal se esvaiu seu sabor.

O meu guru articulista do Washington Post Charles Krauthammer fala dessa alegria de forma inconfundivel em seu artigo de hoje referindo-se ao seu time Washington Nationals. Minha alegria de perder é egoísta. Ganho todas as vezes que perco numa discussão. Descobri que é mais fácil transformar em amigo meu ganhador que meu perdedor.

Quando minha mulher me suplanta numa querela fica mais amável depois; se a venço, mais amarga. O mesmo acontece numa contenda com um amigo. Não sendo necessario ganhar é necessario perder para manter o amigo e sentir uma inusitada alegria por ser flexível. Ser flexível é a maneira mais verificável de ser superior.

O único perder que não pode trazer alegria é o que já se conquistou com esforço. Por exemplo, é inaceitável perder o amor, o respeito, a independencia e o bem-estar conquistados. Não pode haver alegria nesse perder. Entretanto, nunca me perturbou perder o que me é acréscimo e sempre me alegrou perder o que uma pessoa amiga precisa mais que eu.

Não, não é santidade, não. É sabedoria, mesmo. Todos somos sábios quando suportamos não ganhar o que ao outro faz mais falta, se perder.

Todavia, se alguém por selvageria ou crassa estupidez me faz perder minha mulher ou um dos meus filhos, não aceitarei perder. Sou capaz de interromper o curso de minha vida para tirar a dele. Bens materiais perco com alegria, mas meus entes queridos não aceito perder.

abr

26

WAY BACK IN THE PAST

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

The music I am listening
Takes me back in the past…
To my childhood without destiny.
There was no future to worry about,
Only present counted everyday.
The house was there to sleep in mostly;
The yard of bananas trees and the leafy soil.
If the streets were too hot and abandoned,
The large yard was all you wanted.
The Cuiabá River was close by,
You could reach it walking through the bananas trees.
The deep sound of its moving depth
Reached the green leaves of
Every nearby tree
Whistling by the wind of the sunset.
Way back in the past I was a blonde boy
With green eyes, smart as many others,
Barefoot, chasing butterflies in the meadows,
And killing wild birds with a sling.
Nothing special, were not for the immense
Curiosity and a fast tongue like arrows
That disturbed every adult around me.
The music reflashes and brings shadowy
Images of my mother mending others´clothes
As the beans for the dinner boiled
In the earthen pan I will never see again.

abr

26

TO KEEP ON LOVING

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

To love consistently it is a hard task to perform.
We, by nature, are consistent only
When consistency gives us pleasure.
But, almost nothing in this world
Gives us pleasure for long.
Pleasure is somewhat like beauty – they say –
Only skin deep.
Beyonde, it is suffering.
That´s why is itself inconsistent.
We can love virtues or even defects
In other person, when they give us pleasure.
The question then should be how to keep on
Having pleasure?

The answer is intriguing,
For we only have pleasure, real pleasure,
With persons we love.
And only love persons that gives us pleasure.
To keep on loving then
Is to avoid persons that cause us pain;
Those persons who really
Don´t love us.

abr

22

MIASMAS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Vapores emitidos de matéria podre. Pensamentos podem também ser podres. O podre é o estado não utilizavel da materia e, por extensão, o do pensamento ou status quo. No pensamento político é uma atmosfera insalubre. Isto é, faz mal à saúde, e por que não, à mente. Vivemos consumindo esses miasmas que os políticos nos impõem.

Miasmas do pensamento podem ser mais nefastos à saúde física que à saúde mental, quando a mental foi contaminada irreversivelmente. Observe-se que o miasma mental é mais poderoso a longo prazo que o miasma físico de ambiente insano. Inescrupulosos políticos se ocupam em produzir miasmas para a população. Querem-nos miasmáticos.

Usam matéria podre, que em muitos casos é matéria velha. O velho nem sempre é podre, mas o podre é sempre velho.

O miasma está transformando-se num estado de ser político. Político que não produz miasma não cresce. O miasma acaba sendo a semente que torna o político duradouro, por vergonhoso que seja. A matéria podre no natural e no político é a única que cheira. O cheiro político é por sua vez a mais eficiente emanação que contamina. O cheiro político são idéias.

Desenvolva miasmas politicamente aceitáveis e você se torna um político vitorioso. Povo adora o velho mesclado com o novo. O velho, ele já entende, e o novo ele quer entender. É uma fusão irresistível. O voto nada mais é que isso: uma fusão do entendido com a vontade de entender.

Miasmas são contaminantes. Sabe-se que são podres, mas nada podre é estranho ao são. É destino do são ser podre. Isso é verdadeiro na vida pessoal e na política. O são que não apodrece é imaginario. Na política, o imaginario é apenas um artificio para se manter vivo o pensamento novo.

Por isso, no pensamento político, o miasma é uma necessidade. Políticos sem miasmas estão fora de ofício. Não ganham eleições. Não apenas o político tem que ter miasmas, como tem que contaminar com eles o maior número de prospectos possíveis. Mas, para sobreviver, o miasma tem que ser específico. O miasma geral confunde. Assim o é na empresa. Todo aspirante a cargos tem que produzir miasmas contaminantes, desde o momento que assume um cargo. Sem miasmas não há progresso.

abr

20

INTELLIGENTIA EMERGENTIS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

A Descontinuidade do Uso

A inteligência, numa pálida lembrança do que temos hoje, emergiu há 35.000 anos, quando o homo habilis começou a escrever, ou melhor, gravar em pedras. Todavia, o homem non-peludo, bípede e pensante já existia há dois milhões de anos, quando a escrita primitiva surgiu.

Por que foi preciso esse impensável longo tempo para que o homo habilis desse os primeiros passos para se tornar homo sapiens?

Para “brincar” com respostas a essa irrespondível pergunta permito-me formular as seguintes hipóteses:

1. A vida nos milhares de milênios pós-jurássicos tinha quantidades físicas em diferentes valores das que temos em nossa vida hoje.

2. Os “planejadores” da nossa evolução não tinham pressa. Pensavam na evolução da vida, não a da inteligência. Esta seria apenas uma conseqüência daquela. Daí o elaborado trabalho de implantação ao longo de 3,5 bilhões d anos, no fim de 11 milionários períodos (desde o Archean até o Tertiary, passando pelo Jurassic) que duravam até 100 milhões de anos.

3. Se de fato as mensurações com o Carbono 12 estão certas, o homo habilis, que surgiu há dois milhões de anos, tinha um cérebro muito reduzido (talvez menos de 1/4 do nosso, ou menos que o de um chimpanzé ou de um bebê). Em cérebros desse tamanho, os estímulos sensórios não se transformam em memória (hippocampus subdesenvolvido). E, sem memória o homem não evolui. Com pouca memória evolui lentamente.

Talvez, tão contundente quanto a demora da evolução da inteligência do homo habilis seja a demora da evolução do hábito de uso da palavra escrita, que se iniciou há 3.500 anos A.C.

O papel foi inventado pelos chineses no ano 100 A.D. e Gutenberg criou a primeira impressora em 1440. O computador de Babbage foi criado em 1834, mas, o primeiro transistor somente surgiu em 1948, e, até hoje, a maioria dos usuários do computador não sabe o que é ou para o que ele serve.

Esses são eventos típicos da descontinuidade no uso da inteligência. Desde a infância até a adultidade, experimentamos uma contínua descontinuidade (se me permitem o oxímoro). Essa misteriosa intermitência, que na idade moderna pode durar mais de 100 anos, deve ter um propósito!

A imensidade das repetições da descontinuidade, e a quase absoluta improbabilidade de que seja vantajosa para o planeta ou para o universo, leva-nos à imensa probabilidade de que a nossa evolução foi planejada para ser lenta e talvez enquadrada em um tempo extraterrestre.

A Desordenada Evolução Científica

A evolução científica, que pretendo abordar em seguida, tem pouco a ver com o profundo tratado de Stephen Jay Gould “The Structure of Evolutionary Theory” mas com a mais terrestre continuação da escrita: produtores e consumidores de ciência. O número deles é tão apoucado, que também parece ter sido planejado.

Sabido que o número de produtores se alimenta no número de consumidores de ciência, e que a rapidez da implantação dela é o caminho menos opiniado de evolução objetiva, não se entende a relativa despreocupação dos mais educados com o seu avanço.

Considerando que vivemos muito pouco, é inexplicável o desinteresse da maioria dos “capazes” pela continuidade de seus próprios avanços e de outros. Nisso também vejo um bloqueio planejado e uma descontinuidade incompreensível. Os consumidores de ciência são muito poucos e os produtores muito menos. Na verdade, parece haver um bloqueio sobre o que se pode controlar no bloqueio que se não pode. Mas, deixemos o mistério!

Os países mais desenvolvidos, cientificamente falando, (Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Alemanha, França, Canadá e Rússia) são, nessa ordem, responsáveis por 68% das publicações mais usadas pelos pesquisadores e cientistas do mundo (cerca de 4 mil journals com conteúdo científico).

A distorção contributiva é ainda maior quando constatamos que a metade dessas publicações é oriunda do primeiro país citado. Dessa forma, a evolução científica não é do Planeta! Mas, de um pequeno número de habitantes seletos dele. Assim sendo, se de fato rios correm pro mar, as mingüadas produções de outros relativamente improdutivos países irão para e nas línguas dos países líderes em ciência.

O EFEITO SÃO MATEUS

Mais de 2/3 de toda produção científica significativa são conquistados por apenas sete, de 160 países com alguma condição de contribuição. O Brasil está na esperançosa posição de 24º país na ordem descendente. Mas, assim mesmo nosso país produz menos que Itália, Holanda, Austrália, Espanha, Suécia, India, Suiça, China, Israel, Bélgica, Dinamarca, Polônia, Tailândia, Finlândia e Austria, nessa ordem.

Todavia, essa indesejável distorção fica ainda mais contundente, quando verificamos que há um outro bloqueio dentro do bloqueio. Produções científicas de autores oriundos de países subdesenvolvidos, mesmo sendo de igual calibre de seus colegas dos países desenvolvidos, quando focam as mesmas descobertas são preteridas, isto é, não são publicadas nos journals do seleto clube.

Para o cientista do terceiro ou segundo mundo, ter um seu trabalho, correto e atual, rejeitado, pode significar um golpe mortal no ego e desesperança de avançar cientificamente num país pobre. As indesejáveis conseqüências de tal rejeição vão além do desestímulo ao emergente cientista.

Entretanto, há muitos conhecimentos críticos para o desenvolvimento científico que são melhormente desenvolvidos in loco; especialmente nas áreas tecnológicas, médicas e comportamentais. Se o cientista terceiromundista não for citado por colegas consagrados pelos journals da mainstream science ele estará fora da comunidade científica mundial. A citação de trabalhos em outros trabalhos de igual nível, ou superior, é a medida mais objetiva do seu mérito, se feitas nesses journals.

É o Mathew Effect, caracterizado por Robert K. Merton, em 1968, como um fenômeno sociológico. Ele notou que em ciência o crédito de uma descoberta tende a ser dado ao pesquisador mais famoso, associado com ela. O nome do efeito vem de um verso bíblico de Mateus: “A todo aquele que tem deve ser dado… mas daquele que não tem deve ser tirado, até mesmo o que ele já tem”.

São Mateus, já no primeiro século, estava vergastando as inteligências preguiçosas do século XXI. Oferecia com severidade um instrumento social para estimular os proativos e punir os indolentes. Nada mais acertado. É muito mais fácil ser proativo entre os indolentes que entre os proativos. Descontadas as espertezas de curto fôlego, a nenhum proativo real interessa a companhia dos indolentes, por muito tempo. São Mateus, profeticamente, temia a descontinuidade do uso da inteligência - o maior bloqueio no processo evolutivo.

Diariamente sinto os nefastos efeitos dessa descontinuidade.

O monolingüismo dos professores;

o uso do lazer para prazer fisiológico, em vez de ler, estudar, pesquisar, pensar, aprender e ensinar;
o excessivo comodismo em querer aprender através dos sentidos, de forma sensual e empírica, original, pessoal e limitada;

a rápida saciedade com apoucado conhecimento, obtido indisciplinadamente, com insuficiente cumulatividade;

a supervalorização de bens econômicos em detrimento de habilidades mentais;

e a desvalorização das teorias, em favorecimento das práticas assistemáticas,

nos estão tornando merecedores da profecia de São Mateus, não apenas não recebemos acréscimos ao que já temos, como nos estão sendo tirados o que já conseguimos com inteligência.

abr

15

PRESENTIDADE

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Defino este neologismo como o aspecto da existencia do qual depende a individualidade. Tem a ver com o aqui e o agora da realidade individual. Na presentidade, vive-se no indicativo presente de cada verbo que nos afeta.

É idade presente invertida. Experiencia pura de um único momento no tempo. Assim deveria viver todo idoso – em contínua presentidade. A unidade de tempo nesse estado é o agora. A somatória de milhares de agoras é a vida que se tem. Entretanto, é impossível somar agoras.

O agora alegre não colabora mais para uma vida viva que o agora triste. De fato, vive-se mais sendo apenas triste (sem dor) que sendo apenas alegre (sem motivos). A tristeza nos faz pensar, a alegria nos distrai do que deve ser pensado. Distraídos somos menos inteiros. Perdemos a sintonia com a vida.

Alegria não é meta – é fuga dela (desculpe o necessario cacófato). O que nos faz melhores é a segunda meta. A primeira é fazer melhores outros.

Nenhuma dessas duas metas é claramente atingível. Quando nos tornamos melhores nunca temos certeza disso; quanto a melhora dos outros somente podemos inferi-la através de pequeníssimas amostras. Quando usamos amostras nunca de fato sabemos. Existe o chamado erro de amostra inerente em todas as amostras. E, quando estudamos toda a população (raramente) apenas concluímos probabilisticamente. Logo, ninguém (nem mesmo nós) fica melhor com nossa intervenção. Somente coisas possivelmente melhoram com nossa intervenção. Pessoas nunca ficam melhores, ficam apenas menos isso ou mais aquilo. O adjetivo comparativo “melhor” é de natureza subjetiva. Cada um pensa o que lhe apraz, modificando sempre o pensamento no ato de pensar.

Esse é um dos problemas com a realidade individual. Nunca é realmente real. Muda durante o julgamento do que seja real. Daí, ser de suma importancia viver em contínua presentidade. É uma experiencia pura de um único momento no tempo. O alho que mastigo agora é a única experiencia pura. Todavia, é somente pura agora, neste momento. Não tem tempo de ser como as rosas de Malherbe. Não vivem o espaço de uma manhã.

abr

14

NEPENTE

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Nepente é grego para ne – não, e penthos – tristeza.

Algo como uma bebida ou uma droga capaz de levar alguém a esquecer sofrimento. Foi citado inicialmente por Homero em “Odisseia” como uma poção capaz de apagar todas as más memórias. Por extensão, o uso de nepente hoje muito reflete os poderes atribuidos ao álcool para alguém se livrar das memórias incômodas. A palavra é além de muito expressiva, altamente eufônica.

O álcool ou a droga no ponto certo tem o poder de aliviar a consciencia de seus pesos, quando leves e suportáveis, no ponto em que apenas incomodam. Tristeza e álcool andam de mãos dadas nas pessoas que sabem controlar seus efeitos extremos. Parece até que se complementam na busca do bem-estar.

Lamento o estado de alguém tendo tristeza sem hábito de beber e de fumar. Um intelectual nepente, isto é, sem tristeza, é uma pessoa incompleta. Dos nossos sentimentos naturais, a tristeza, além da dor, é a mais autêntica. Se você não tem tristeza, você é pouco humano, e, provavelmente também não tem as elevações dos seres espirituais, i.e. angélicos.

Nepente, se pode ser chamada assim, é idiossincrasia de idosos experimentados, que já tudo viveram que esperavam viver. Não têm mais tristezas, têm apenas lembranças. Ter tristeza, entretanto, é uma bênção. É preciso sentir decepções para ter tristeza. Se você não a tem, você é um nepente. Uma pessoa incapaz de se abalar com os eventos contrários às expectativas.

Fui nepente durante um largo período de minha meia-idade. Passava pelas contrariedades como se fossem parte do viver. Não lhes dava nenhuma importancia. Dormia com elas e acordava sem elas. Não produziam em mim nenhum efeito duradouro. Contrariedades sim, mas, tristezas praticamente não as tive. Quando vinham, por este ou aquele motivo, não chegavam a mim, dissipavam-se antes, bem antes.

Sou nepente desde a mais tenra idade. A vida que tive até agora sempre foi ocupada demais para dar espaço à tristeza. Se você for nepente, suas tristezas se apresentarão como problemas, e seus problemas nunca lhe causarão tristezas.

abr

13

FARRAGO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Farrago é Latim que significa alimento mesclado, misturado, como o que se dá às criações. Esta Trivia focará alguns desses alimentos que dei à minha mente para digerir.

Acontece comigo que quando encontro algo novo não o aprecio adequadamente, porque tendo a avaliá-lo em termos de criterios anteriores. E o novo não mais atrai.

*Busco resveratrol no meu consumo de vinho diário, mas descobri que precisaria de várias garrafas para obter o suficiente. Meu interesse no vinho continua, mas no resveratrol, nem tanto.

* Antes de saber que alto consumo de alho está associado significativamente com reduzido risco de câncer, já consumia um dente todas as noites. Hoje consumo dois.

* Com exceção de vitamina D humanos podem obter todos os nutrientes de que precisam de seus alimentos comuns.

* Procuro evitar refeições com pouco carboidrato e muita proteína. Dizem que estão associadas com alta mortalidade.

*Antes de ir pra cama costumo pensar em duas ou três boas coisas que me aconteceram e analisar por que elas ocorreram.

* Peso 65 kg com pequenas variações há varios anos. Meus exercicios são curtos e intensos até sentir as batidas do coração.

* Não tenho consumido com a frequencia que gostaria as carnes de órgãos tais como coração, fígado, e rins. O consumo periódico dessas carnes acredito nos fazem mais resistentes às bacterias.

* Frequentemente me pergunto se estou sendo coerente quando exponho um pensamento meu. Se o que estou falando ou escrevendo é inteligivel e articulado, lógico e consistente.

abr

8

TO BECOME A BETTER PERSON

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

My children, I read these commandments every day.

1. Pay less attention to yourself and more to other people.

2. Focus on opportunities, not problems.

3. Listen first, talk later.

4. Criticize only when your criticism is helpful.

5. Never speak badly about anyone.

6. Never complain about anything.

7. Perform an act of kindness every day.