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OS INSETOS ACORDAM
Nesta Trivia vou me exercitar com algum chinês disponível aos latinos.
Neste ano de 300 dias até hoje não senti a presença de insetos em Jaraguá. Aqui chove e fica enxarcado pelo menos 160 dias por ano. A inferencia é que os insetos dormem nos dias chuvosos. Somente o sol os desperta e os retornam à vida.
Quando começa a primavera (Li Chun), segundo os chineses, os insetos retornam à vida. Porque? Os entomólogos teriam uma resposta. Quando a chuva chega (Yushui) os insetos nada tèm a fazer na superficie. Quando a chuva se vai, os insetos acordam (Jingzhe).
Alguma coisa em nosso cérebro está associada com o ritmo biológico dos insetos. No inverno e no período de chuvas somos morosos em acordar e até em pensar. Quando o dia é claro e brilhante (Qingming) nossa mente alça vôo e até canta como os sabiás laranjeiras. Eles que não podem ver a linda lua cheia de hoje.
Voltei do Mercado Angeloni – às vezes super – e ainda me lembro de ter visto ali uma verdadeira chuva de cereais (Guyu). Tive a sensação de que começava o verão (Lixia). Sei que nas roças as sementes brotam (Xiaoman) na encharcada Jaraguá.
É o solsticio (Xiazhu) do verão em que toda identidade está começando. O calor ainda não é forte, mas começamos a ter certeza de que no dia seguinte não choverá. Logo começarão os dias de calor forte (Dashu). Mas, tudo bem, nós tropicais nunca nos incomodamos com o calor. Somente o não-calor nos incomoda. Nunca queremos o fim do calor (Chushu).
Felizmente, não temos aqui o orvalho branco (Bailu) que lá na China começa em Setembro. Lá, em outubro, começa o orvalho frio (Hanlu). Depois vem o inverno; no inverno os insetos dormem. Nós deveríamos ser assim também, não fosse a necessidade de viver produtivamente 365 dias no ano. É uma necessidade perfuntória, como já demonstram algumas nações, que estão reduzindo as horas de trabalho. Vai demorar muito tempo até chegarmos à idade biológica dos insetos. Dormiremos no inverno e acordaremos no Chilun), quando retornaremos à vida. É claro, a vida dividida é mais vida. Hoje temos quatro divisões (infancia, adolescencia, mocidade, adultidade) Deveríamos ter outras quatro para a velhice.
O corpo morto é frio. Na velhice nos esfriamos devagar. Aos sessenta somos mornos; aos setenta começamos a nos esfriar; e aos oitenta estamos fritos, mas ainda não gelados. Em cada intervalo de tempo, podemos manter algum calor após os setenta. Esse pouco calor é a vida moderada, que é o mesmo que o frio moderado (Shiohan ). O insetos dormem com o retorno ao frio. Descobrir o moderado é o que ficamos sabendo cada vez que tomamos uma nova taça de vinho.
nov
23
TENHO APRENDIDO QUE:
01. O consumo de oxigenio declina com a idade.
02. A tristeza desmotivada tem o seu valor. Se você estiver satisfeito com a vida que tem, você não tem motivação para muda-la.
03. O mau humor é um incentivo à mudança; somos mais analíticos e mais críticos. Bom humor nos desconecta do real.
04. Estou vivendo momentos que exigem que eu me aposente da aposentadoria. É uma necessidade até quando não se aposentou.
05. É estúpido morrer antes dos 80 e sábio morrer depois dos 90.
06. Nossas reais necessidades na vida são: comer bem, estar ativo e se divertir. Poucos de fato satisfazem estas três.
07. Para viver bem com minha mulher tenho que tratá-la como trato a minha Sushie (chow-chow): recompensar seus comportamentos positivos; ignorar os negativos; e nada encarar pessoalmente.
08. Abstinencia de tudo que nos dá prazer nos faz bem. Todavia, o prazer não pode ser muito intenso e a abstinencia muito longa.
09. Maus hábitos são chaves na longevidade do homem. Se você já viveu 50 sem eles, não tem mais tempo para ter seus benefícios.
10. Diz a nobel de Medicina Rita Levi (96) que a religião freia o desenvolvimento do cognitivo.
11. O governo que realmente deseja triunfar tem que aumentar o salaário de 2/3 da base da economia do seu país.
12. O principal problema do governo Lula não é ser disfuncional, mas ser não-funcional.
13. As coisas que escolhi pouco fizeram mudanças em mim; acredito que as coisas que não escolhí é que fariam ser o que sou.
14. As mulheres de pequena estatura vivem mais. As extraterrestres que interpretamos não têm mais que 150 cm.
15. A forma predominante da vida na Terra é bacteriana. Somos bacterianos. Somos humanos apenas redundantemente.
nov
23
CONTANDO HORAS
Das várias divisões possíveis do tempo, a hora é a mais signitificativa, por que mais definida e gerenciavel. Sabemos bem o que é e quanto dura. Tenho verificado que o meu mês tem 300 horas úteis, de fato úteis. Se me dedicasse, em 300 horas:
· Seria capaz de escrever 15 Trivias Philosophicas;
· Seria capaz de aprender os rudimentos de uma língua ocidental, que hoje me é completamente estranha;
· Poderia tentar conquistar pelo menos cinco pessoas conhecidas a quem hoje sou indiferente;
· Se planejasse, teria bastante tempo para despertar em meus filhos e filhas uma verdadeira amizade por mim;
· Faria contatos diretos e consequentes com pelo menos 100 pessoas que estão em minha lista de envios da Trivia;
· Visitaria de carro pelo menos 10 cidades que não conheço em Santa Catarina;
· Entrevistaria tecnicamente pelo menos 5 padres e 5 pastores que atuam em Jaraguá, talvez aprendendo mais sobre a fé;
· Mesmo considerando meu poder financeiro de professor aposentado faria mais felizes pelo menos 8 pessoas que parecem se preocupar comigo;
· Por mais limitados que sejam esses objetivos no emprego do meu tempo, por que não tento, mesmo temendo ingratidão, ser mais generoso, enquanto posso?
· A pergunta saliente é: por que não uso as 300 horas de que disponho mensalmente para fazer tudo isso?
nov
23
VALOR BIOLÓGICO
Lembrou-me o amigo Amador que o lógico Richard Dawkings uma vez insinuou que no natural das coisas da Natureza o que de fato conta é o valor biológico. Em uma das Trivias da década de 90 ponderava eu que a genética não se importa com o desenvolvimento mental. A ela só interessa transmitir a futuras gerações “bio”. A vida e sua transmissão indefinida é que interessa ao Plano Criador. A mente é um ipso facto, um acidente instrumental para prolongar e dispersar a vida. Mas, é claro, ao homem foi dado a mente, que transcende essa aparente simplicidade. Quis o Criador que nos tornássemos capazes de alterar o seu próprio Plano, que afinal ninguém sabe bem qual é.
Se entendermos que o valor biológico é a capacidade de procriar, o homem é altamente potente: quanto mais longevo maior a potencia. Homens e mulheres que escolhem não procriar contrariam a programação genética e têm menor valor biológico. Pela mesma lógica, quanto maior o número de rebentos produzidos por um casal, maior o valor dele para o Plano Criador.
Entretanto, a biologia não é tudo para o humano. A racionalidade o distancia do biológico natural. Aí começa toda a confusão de valores. O mundo simples como talvez tenha querido o Criador pouco determina na evolução do espírito. Este não tem os limites do biológico, embora aparentemente esteja atado à vida biológica. Portanto, nosso valor biológico está de fato dissociado de nosso valor espiritual, mental ou intelectual. É como se devêssemos obedecer a três planos: o biológico, o mental e o espiritual. O primeiro nos é dado, mas o segundo e o terceiro temos que conquistar. Se não os conquistamos, o biológico nos regride à natureza. O que fazer? Temos que melhorar o biológico (alimentação e exercícios) para poder adentrar a mente e desenvolver o espírito. Palavras da salvação! (Felizmente, meu OBiKwa – vinho da África do Sul) ainda me inspirará a próxima Trivia Philosophica.
nov
19
RETARDO DO ENVELHECIMENTO
Depois dos 60 nada há que a pessoa mais queira que retardar envelhecimento. A longevidade depende de quanto o envelhecimento é retardado. Rugas, fraquezas, doenças são indicadores de envelhecimento. Os médicos começam a conhecer você e a máfia branca o envolve como uma jibóia a sua vítima. Na mulher, as habilidades reprodutivas diminuem e no homem o corpo e a potência entram na oficina. Já se sabe que o envelhecimento é uma função de rápida mortalidade de células nessa suposta metade da vida. Todavia, nossos corpos são programados para sobreviver. Entretanto, não devemos esquecer que vida longa na natureza é uma raridade. Temos que encontrar mecanismos para retardar o envelhecimento. Restrição calórica tem sido provada como um desses mecanismos. Restringir calorias é comer pouco, muito pouco mesmo. Pouca comida (200 gramas por dia) evita o surgimento de doenças. Uma forma de comer poucas calorias é alimentar-se de vegetais. Eles não locupletam o estômago e nos mantêm alimentados. De todos os fatores que afetam negativamente o envelhecimento, a dieta é a mais importante. Afinal, envelhecimento humano é maleável.
nov
10
CONTRIBUIÇÃO
Quando de fato contribuimos quando escrevemos, falamos, fazemos ou ouvimos? Em linguagem comum, contribuir é acrescentar. Como acrescentar ao que existe, se pouco sabemos sobre o que existe? A maioria dos doutores, pesquisadores, pais e mestres das escolas e das igrejas não se preocupa com as informações que têm os que sabem menos. Somos obcecados com as informações que eles não têm e supostamente precisam ter. De que forma podemos contribuir, se apenas supomos o que sabem os que vamos ensinar. A transmissão de conhecimentos multidisciplinares nas escolas se assenta em pressupostos. A aprendizagem do conteúdo das disciplinas do primeiro ano é tida por garantida no aluno que começa o segundo, terceiro, etc. Há um trabalho cerebral de cada aluno que ninguém mede, mas que se presume. Ora, presumir não é saber. Como acrescentar a algo que apenas se imagina? Temos que contar com a existencia de um cérebro mágico. Alunos acabam aprendendo sem escolher e professores ensinam sem saber como alunos aprendem. O cérebro tem que ser mágico. O que não escolhemos não aprendemos, e se não aprendemos, não sabemos. Professores escolhem fazer cinco perguntas explorando um contéudo que exigiria no mínimo duzentas. Como sabemos que estamos contribuindo com o nosso ensino? Não se pode acrescentar ao que se desconhece. Uma avaliação cientificamente formulada teria que dar ao aluno a oportunidade de escolher do conteúdo o que sabe responder. Sem esse foco, o ensino do professor não contrbui. Professores deveriam perguntar apenas o que os alunos escolhem saber. O conhecimento sobre algo é tão vasto, que não existe resposta fixa sobre nenhum item. Somente podemos contribuir nesse território sem fixações. Cabe ao professor ensinar e ao aluno aprender, dentro do que eles escolhem saber. A pergunta num exame ou mesmo numa conversa somente pode ser procurando saber o que o outro diz que sabe. A arte de fazer avaliações válidas e fidedignas consiste disso: perguntar o que o outro diz saber. Fora disso é busca de conhecimento mágico. Isto é, não contribui, isto é, não acrescenta. Sob normas de racionalidade, somente devemos demonstrar saber o que dizemos saber.
nov
5
CASTIDADE
É preciso ter sua mulher na menopausa para reconhecer a importância da castidade. Nunca ninguém comparou, talvez, mas a abstinência de sexo pode ser tão prazenteira quanto o próprio. Alguém já me sugeriu masturbação, mas não levo jeito pra coisa. Outros, felatio e até cunnilingus, como complemento. Mas, nada substitui o ato completo, em que se chega ao ápice junto ou quase.
A castidade, quando suportável e coincidente, é tão possível. A castidade ou abstinência é força. Abster-se de satisfazer as demandas do fisiológico é a coisa mais próxima do espírito. O ser total se põe acima da marmelada. Pensa e se sente superior. É uma superioridade silenciosa; ninguém precisa saber para que seja autêntica. A pessoa casta é distinta na multidão dos concupiscentes.
A sociedade que escolhesse ser casta teria aulas no ensino fundamental exclusivamente focadas em ensinar castidade. Bush está propondo aos Estados milhões para implementação de tais programas. Talvez seja o único de seus acertos políticos. Acredita-se que o jovem tenha muita resistência a adquirir qualquer hábito que ainda não iniciou.
Sem muitas regras, jovens precisam ser ensinados que criar crianças fora do casamento tende a desestabilizar a sociedade. Gravidez de adolescentes desestabiliza o lar e arrisca doenças transmissíveis. A castidade antes do casamento causa bem a quem a pratica e não causa mal a ninguém. Segundo Pareto, tal condição, independentemente do que seja, é algo que deve ser praticado.
A sociedade tem provado que o sexo na adolescência (14-19 anos) é claramente desnecessário. Depois da adolescência, continua possível, mas não compulsório. O desinteresse por sexo não é tão inusitado assim. Eu me mantive casto até os 22. Até hoje não tolero tentar masturbar-me. Não consigo usar camisinhas e suspeito que algumas sejam porosas. Prefiro o coitus interruptus, que satisfaz a natureza.
Todos os jovens devem ser educados sobre o sexo, mesmo sem a finalidade de evitá-lo fora do casamento. Parece ideológico recomendar abstinência, mas a castidade custa bem menos à sociedade que os programas sociais e serviços médicos para remediar as conseqüências da prática difusa do sexo.
O orgasmo é um prazer desejável, mas em muitos casos tem um preço além do qual é irresponsável querer pagar.
nov
5
ACERTAR O ALVO ERRADO
Frequentemente mudamos de cidade por que acreditamos ser a cidade certa. Descobrimos, depois, que a cidade não era tão certa assim. Assim são também com os negócios. A cidade é certa, mas o alvo do negocio, não. A cidade é grande mais o alvo do negocio é pequeno.
Diz-se que alguém acerta o alvo errado quando se pensa que o tempo é bom para pescar. A menos que você pesque com dinamite (muito dinheiro) o tempo bom para pescar é para todos. Quanto mais fácil é o peixe para se pescar mais competidores você terá.
O alvo errado é amplo e o caminho a ele é asfaltado. Não convém praticar o kusiad (persa para “pedra preta que se joga na água para atrair peixes”. É claro que é uma ilusão: peixes não são atraídos por pedras e ondas que elas provocam.
O alvo errado é assim, com soluções fáceis. Tenho desconfiado de todas elas que me aparecem na vida, principalmente quando é um amigo que mas apresenta.
Dizem que na Ilha da Páscoa, os indígenas acreditam em tu ´utu´u (acertar o alvo mais de uma vez, atirando flechas). Na vida prática hodierna nossas flechas são pouco confiáveis. Frequentemente acertamos, oba! Mas o alvo é errado.
Há bastante tempo não acerto flechas, mas continuo lançando-as. Quando acerto, corro pressuroso para verificar, e decepcionado, descubro que o alvo era errado.
Assim, tenho vivido eu acertando o alvo errado. Assimilo as decepções com naturalidade. Às vezes acredito que o errado é o certo. Fico nessa ilusão até que me desencanto. Todavia, o desapontamento não tem alternativas. Nada é mais sincero que desapontamento.
Estou cansado de praticar lihnaka inska wauhwaia (dialeto ulwa, Nicaragua) que é “bater na água para fazer o peixe pular para dentro do barco”. Não pulam. Quando pulam não acertam o alvo desejado: acertam o alvo errado para você e certo para eles – a água em torno do barco.
Em geral, sou um pouco do havaiano, que sofre o pau heoheo, isto é, volto da pescaria sem nenhum peixe.
nov
5
Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.
1978: Conclusão do Curso de Ph.D. em Ciência da Informação na University of Wisconsin, Madison, Wis. USA
1968: Conclusão do Curso de Mestrado (Magister Scientiae in Librorum Scientia) Washington, D.C. USA.
18 livros publicados nas áreas comportamentais e pesquisa científica.
** 1.115 (?) artigos (Trivia Philosophica) publicados pela Internet nas áreas de filosofia, ciência, e religião. *** 59 pesquisas independentes efetuadas em atividades acadêmicas.