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nov

27

MAIS CORAGEM QUE CÉREBRO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Penso que a fase atual da civilização é mais propícia ao uso da coragem que do cérebro. Este desenvolveu-se muito e pondera em excesso. Quanto mais analisa menos age. No fundo, o cérebro é medroso. Tem a capacidade de fazer agir, mas nenhum poder de levar à ação. Parece que quanto mais cérebro se usa, menos coragem se tem. Coragem está no cérebro, mas não no mesmo lugar do raciocinio. Raciocínio paralisa, e não permite que nada aconteça de fato. Somente coragem faz acontecer.

O cérebro, de acordo com sua suposta origem genética, é quase antimateria – uma espécie de espírito pro gasto diario. A coragem é vida material – tem a força que o espírito não tem. A força espiritual não é deste mundo. Para quase nada serve para realizar o que a matéria exige. A força espiritual sem a matéria forte é inutil.

Não vale a pena ser mental ou espiritual num mundo material. Neste, somente a coragem conta. Quanto mais cerebral menos material, e então ficamos no mundo errado. Daí, a simplista explicação de sermos os mentais os que menos crescemos na vida material. A quantidade de dinheiro ganha é a medida desta afirmativa. Há um tipo de inteligencia que permite ser cerebral no ganho material. É uma dessas variações genéticas em grandes populaçãoes.

A coragem é mais importante para se adequar à vida corrente. Precisamos de pouco uso do cérebro para ter sucesso na vida material. Quanto mais o usamos mais distantes ficamos do seu melhor uso. Seja mental ou espiritual, e não queira ser também material. Matéria e mente são antípodas e mutuamente exclusivas.

Somente se pode ter coragem quando não se é inteiramente cerebral. A coragem é a nossa principal virtude na luta pela sobrevivencia. O uso do cérebro quase impede o uso da coragem. Não queira jamais ser cerebral e corajoso. É contra nossa natureza. Usamos a coragem para avançar e o cérebro para acertar; porém. não acertamos sem coragem. Com coragem testamos o cérebro, com o cérebro apenas não testamos a coragem. Por isso, é mais importante ser corajoso que brilhante.

nov

26

OS INSETOS ACORDAM

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Nesta Trivia vou me exercitar com algum chinês disponível aos latinos.

Neste ano de 300 dias até hoje não senti a presença de insetos em Jaraguá. Aqui chove e fica enxarcado pelo menos 160 dias por ano. A inferencia é que os insetos dormem nos dias chuvosos. Somente o sol os desperta e os retornam à vida.

Quando começa a primavera (Li Chun), segundo os chineses, os insetos retornam à vida. Porque? Os entomólogos teriam uma resposta. Quando a chuva chega (Yushui) os insetos nada tèm a fazer na superficie. Quando a chuva se vai, os insetos acordam (Jingzhe).

Alguma coisa em nosso cérebro está associada com o ritmo biológico dos insetos. No inverno e no período de chuvas somos morosos em acordar e até em pensar. Quando o dia é claro e brilhante (Qingming) nossa mente alça vôo e até canta como os sabiás laranjeiras. Eles que não podem ver a linda lua cheia de hoje.

Voltei do Mercado Angeloni – às vezes super – e ainda me lembro de ter visto ali uma verdadeira chuva de cereais (Guyu). Tive a sensação de que começava o verão (Lixia). Sei que nas roças as sementes brotam (Xiaoman) na encharcada Jaraguá.

É o solsticio (Xiazhu) do verão em que toda identidade está começando. O calor ainda não é forte, mas começamos a ter certeza de que no dia seguinte não choverá. Logo começarão os dias de calor forte (Dashu). Mas, tudo bem, nós tropicais nunca nos incomodamos com o calor. Somente o não-calor nos incomoda. Nunca queremos o fim do calor (Chushu).

Felizmente, não temos aqui o orvalho branco (Bailu) que lá na China começa em Setembro. Lá, em outubro, começa o orvalho frio (Hanlu). Depois vem o inverno; no inverno os insetos dormem. Nós deveríamos ser assim também, não fosse a necessidade de viver produtivamente 365 dias no ano. É uma necessidade perfuntória, como já demonstram algumas nações, que estão reduzindo as horas de trabalho. Vai demorar muito tempo até chegarmos à idade biológica dos insetos. Dormiremos no inverno e acordaremos no Chilun), quando retornaremos à vida. É claro, a vida dividida é mais vida. Hoje temos quatro divisões (infancia, adolescencia, mocidade, adultidade) Deveríamos ter outras quatro para a velhice.

O corpo morto é frio. Na velhice nos esfriamos devagar. Aos sessenta somos mornos; aos setenta começamos a nos esfriar; e aos oitenta estamos fritos, mas ainda não gelados. Em cada intervalo de tempo, podemos manter algum calor após os setenta. Esse pouco calor é a vida moderada, que é o mesmo que o frio moderado (Shiohan ). O insetos dormem com o retorno ao frio. Descobrir o moderado é o que ficamos sabendo cada vez que tomamos uma nova taça de vinho.

nov

23

TENHO APRENDIDO QUE:

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

01. O consumo de oxigenio declina com a idade.

02. A tristeza desmotivada tem o seu valor. Se você estiver satisfeito com a vida que tem, você não tem motivação para muda-la.

03. O mau humor é um incentivo à mudança; somos mais analíticos e mais críticos. Bom humor nos desconecta do real.

04. Estou vivendo momentos que exigem que eu me aposente da aposentadoria. É uma necessidade até quando não se aposentou.

05. É estúpido morrer antes dos 80 e sábio morrer depois dos 90.

06. Nossas reais necessidades na vida são: comer bem, estar ativo e se divertir. Poucos de fato satisfazem estas três.

07. Para viver bem com minha mulher tenho que tratá-la como trato a minha Sushie (chow-chow): recompensar seus comportamentos positivos; ignorar os negativos; e nada encarar pessoalmente.

08. Abstinencia de tudo que nos dá prazer nos faz bem. Todavia, o prazer não pode ser muito intenso e a abstinencia muito longa.

09. Maus hábitos são chaves na longevidade do homem. Se você já viveu 50 sem eles, não tem mais tempo para ter seus benefícios.

10. Diz a nobel de Medicina Rita Levi (96) que a religião freia o desenvolvimento do cognitivo.

11. O governo que realmente deseja triunfar tem que aumentar o salaário de 2/3 da base da economia do seu país.

12. O principal problema do governo Lula não é ser disfuncional, mas ser não-funcional.

13. As coisas que escolhi pouco fizeram mudanças em mim; acredito que as coisas que não escolhí é que fariam ser o que sou.

14. As mulheres de pequena estatura vivem mais. As extraterrestres que interpretamos não têm mais que 150 cm.

15. A forma predominante da vida na Terra é bacteriana. Somos bacterianos. Somos humanos apenas redundantemente.

nov

23

CONTANDO HORAS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Das várias divisões possíveis do tempo, a hora é a mais signitificativa, por que mais definida e gerenciavel. Sabemos bem o que é e quanto dura. Tenho verificado que o meu mês tem 300 horas úteis, de fato úteis. Se me dedicasse, em 300 horas:

· Seria capaz de escrever 15 Trivias Philosophicas;

· Seria capaz de aprender os rudimentos de uma língua ocidental, que hoje me é completamente estranha;

· Poderia tentar conquistar pelo menos cinco pessoas conhecidas a quem hoje sou indiferente;

· Se planejasse, teria bastante tempo para despertar em meus filhos e filhas uma verdadeira amizade por mim;

· Faria contatos diretos e consequentes com pelo menos 100 pessoas que estão em minha lista de envios da Trivia;

· Visitaria de carro pelo menos 10 cidades que não conheço em Santa Catarina;

· Entrevistaria tecnicamente pelo menos 5 padres e 5 pastores que atuam em Jaraguá, talvez aprendendo mais sobre a fé;

· Mesmo considerando meu poder financeiro de professor aposentado faria mais felizes pelo menos 8 pessoas que parecem se preocupar comigo;

· Por mais limitados que sejam esses objetivos no emprego do meu tempo, por que não tento, mesmo temendo ingratidão, ser mais generoso, enquanto posso?

· A pergunta saliente é: por que não uso as 300 horas de que disponho mensalmente para fazer tudo isso?

nov

23

VALOR BIOLÓGICO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Lembrou-me o amigo Amador que o lógico Richard Dawkings uma vez insinuou que no natural das coisas da Natureza o que de fato conta é o valor biológico. Em uma das Trivias da década de 90 ponderava eu que a genética não se importa com o desenvolvimento mental. A ela só interessa transmitir a futuras gerações “bio”. A vida e sua transmissão indefinida é que interessa ao Plano Criador. A mente é um ipso facto, um acidente instrumental para prolongar e dispersar a vida. Mas, é claro, ao homem foi dado a mente, que transcende essa aparente simplicidade. Quis o Criador que nos tornássemos capazes de alterar o seu próprio Plano, que afinal ninguém sabe bem qual é.

Se entendermos que o valor biológico é a capacidade de procriar, o homem é altamente potente: quanto mais longevo maior a potencia. Homens e mulheres que escolhem não procriar contrariam a programação genética e têm menor valor biológico. Pela mesma lógica, quanto maior o número de rebentos produzidos por um casal, maior o valor dele para o Plano Criador.

Entretanto, a biologia não é tudo para o humano. A racionalidade o distancia do biológico natural. Aí começa toda a confusão de valores. O mundo simples como talvez tenha querido o Criador pouco determina na evolução do espírito. Este não tem os limites do biológico, embora aparentemente esteja atado à vida biológica. Portanto, nosso valor biológico está de fato dissociado de nosso valor espiritual, mental ou intelectual. É como se devêssemos obedecer a três planos: o biológico, o mental e o espiritual. O primeiro nos é dado, mas o segundo e o terceiro temos que conquistar. Se não os conquistamos, o biológico nos regride à natureza. O que fazer? Temos que melhorar o biológico (alimentação e exercícios) para poder adentrar a mente e desenvolver o espírito. Palavras da salvação! (Felizmente, meu OBiKwa – vinho da África do Sul) ainda me inspirará a próxima Trivia Philosophica.

nov

19

RETARDO DO ENVELHECIMENTO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Depois dos 60 nada há que a pessoa mais queira que retardar envelhecimento. A longevidade depende de quanto o envelhecimento é retardado. Rugas, fraquezas, doenças são indicadores de envelhecimento. Os médicos começam a conhecer você e a máfia branca o envolve como uma jibóia a sua vítima. Na mulher, as habilidades reprodutivas diminuem e no homem o corpo e a potência entram na oficina. Já se sabe que o envelhecimento é uma função de rápida mortalidade de células nessa suposta metade da vida. Todavia, nossos corpos são programados para sobreviver. Entretanto, não devemos esquecer que vida longa na natureza é uma raridade. Temos que encontrar mecanismos para retardar o envelhecimento. Restrição calórica tem sido provada como um desses mecanismos. Restringir calorias é comer pouco, muito pouco mesmo. Pouca comida (200 gramas por dia) evita o surgimento de doenças. Uma forma de comer poucas calorias é alimentar-se de vegetais. Eles não locupletam o estômago e nos mantêm alimentados. De todos os fatores que afetam negativamente o envelhecimento, a dieta é a mais importante. Afinal, envelhecimento humano é maleável.

nov

10

CONTRIBUIÇÃO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Quando de fato contribuimos quando escrevemos, falamos, fazemos ou ouvimos? Em linguagem comum, contribuir é acrescentar. Como acrescentar ao que existe, se pouco sabemos sobre o que existe? A maioria dos doutores, pesquisadores, pais e mestres das escolas e das igrejas não se preocupa com as informações que têm os que sabem menos. Somos obcecados com as informações que eles não têm e supostamente precisam ter. De que forma podemos contribuir, se apenas supomos o que sabem os que vamos ensinar. A transmissão de conhecimentos multidisciplinares nas escolas se assenta em pressupostos. A aprendizagem do conteúdo das disciplinas do primeiro ano é tida por garantida no aluno que começa o segundo, terceiro, etc. Há um trabalho cerebral de cada aluno que ninguém mede, mas que se presume. Ora, presumir não é saber. Como acrescentar a algo que apenas se imagina? Temos que contar com a existencia de um cérebro mágico. Alunos acabam aprendendo sem escolher e professores ensinam sem saber como alunos aprendem. O cérebro tem que ser mágico. O que não escolhemos não aprendemos, e se não aprendemos, não sabemos. Professores escolhem fazer cinco perguntas explorando um contéudo que exigiria no mínimo duzentas. Como sabemos que estamos contribuindo com o nosso ensino? Não se pode acrescentar ao que se desconhece. Uma avaliação cientificamente formulada teria que dar ao aluno a oportunidade de escolher do conteúdo o que sabe responder. Sem esse foco, o ensino do professor não contrbui. Professores deveriam perguntar apenas o que os alunos escolhem saber. O conhecimento sobre algo é tão vasto, que não existe resposta fixa sobre nenhum item. Somente podemos contribuir nesse território sem fixações. Cabe ao professor ensinar e ao aluno aprender, dentro do que eles escolhem saber. A pergunta num exame ou mesmo numa conversa somente pode ser procurando saber o que o outro diz que sabe. A arte de fazer avaliações válidas e fidedignas consiste disso: perguntar o que o outro diz saber. Fora disso é busca de conhecimento mágico. Isto é, não contribui, isto é, não acrescenta. Sob normas de racionalidade, somente devemos demonstrar saber o que dizemos saber.

nov

5

CASTIDADE

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

É preciso ter sua mulher na menopausa para reconhecer a importância da castidade. Nunca ninguém comparou, talvez, mas a abstinência de sexo pode ser tão prazenteira quanto o próprio. Alguém já me sugeriu masturbação, mas não levo jeito pra coisa. Outros, felatio e até cunnilingus, como complemento. Mas, nada substitui o ato completo, em que se chega ao ápice junto ou quase.

A castidade, quando suportável e coincidente, é tão possível. A castidade ou abstinência é força. Abster-se de satisfazer as demandas do fisiológico é a coisa mais próxima do espírito. O ser total se põe acima da marmelada. Pensa e se sente superior. É uma superioridade silenciosa; ninguém precisa saber para que seja autêntica. A pessoa casta é distinta na multidão dos concupiscentes.

A sociedade que escolhesse ser casta teria aulas no ensino fundamental exclusivamente focadas em ensinar castidade. Bush está propondo aos Estados milhões para implementação de tais programas. Talvez seja o único de seus acertos políticos. Acredita-se que o jovem tenha muita resistência a adquirir qualquer hábito que ainda não iniciou.

Sem muitas regras, jovens precisam ser ensinados que criar crianças fora do casamento tende a desestabilizar a sociedade. Gravidez de adolescentes desestabiliza o lar e arrisca doenças transmissíveis. A castidade antes do casamento causa bem a quem a pratica e não causa mal a ninguém. Segundo Pareto, tal condição, independentemente do que seja, é algo que deve ser praticado.

A sociedade tem provado que o sexo na adolescência (14-19 anos) é claramente desnecessário. Depois da adolescência, continua possível, mas não compulsório. O desinteresse por sexo não é tão inusitado assim. Eu me mantive casto até os 22. Até hoje não tolero tentar masturbar-me. Não consigo usar camisinhas e suspeito que algumas sejam porosas. Prefiro o coitus interruptus, que satisfaz a natureza.

Todos os jovens devem ser educados sobre o sexo, mesmo sem a finalidade de evitá-lo fora do casamento. Parece ideológico recomendar abstinência, mas a castidade custa bem menos à sociedade que os programas sociais e serviços médicos para remediar as conseqüências da prática difusa do sexo.

O orgasmo é um prazer desejável, mas em muitos casos tem um preço além do qual é irresponsável querer pagar.

nov

5

ACERTAR O ALVO ERRADO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Frequentemente mudamos de cidade por que acreditamos ser a cidade certa. Descobrimos, depois, que a cidade não era tão certa assim. Assim são também com os negócios. A cidade é certa, mas o alvo do negocio, não. A cidade é grande mais o alvo do negocio é pequeno.

Diz-se que alguém acerta o alvo errado quando se pensa que o tempo é bom para pescar. A menos que você pesque com dinamite (muito dinheiro) o tempo bom para pescar é para todos. Quanto mais fácil é o peixe para se pescar mais competidores você terá.

O alvo errado é amplo e o caminho a ele é asfaltado. Não convém praticar o kusiad (persa para “pedra preta que se joga na água para atrair peixes”. É claro que é uma ilusão: peixes não são atraídos por pedras e ondas que elas provocam.

O alvo errado é assim, com soluções fáceis. Tenho desconfiado de todas elas que me aparecem na vida, principalmente quando é um amigo que mas apresenta.

Dizem que na Ilha da Páscoa, os indígenas acreditam em tu ´utu´u (acertar o alvo mais de uma vez, atirando flechas). Na vida prática hodierna nossas flechas são pouco confiáveis. Frequentemente acertamos, oba! Mas o alvo é errado.

Há bastante tempo não acerto flechas, mas continuo lançando-as. Quando acerto, corro pressuroso para verificar, e decepcionado, descubro que o alvo era errado.

Assim, tenho vivido eu acertando o alvo errado. Assimilo as decepções com naturalidade. Às vezes acredito que o errado é o certo. Fico nessa ilusão até que me desencanto. Todavia, o desapontamento não tem alternativas. Nada é mais sincero que desapontamento.

Estou cansado de praticar lihnaka inska wauhwaia (dialeto ulwa, Nicaragua) que é “bater na água para fazer o peixe pular para dentro do barco”. Não pulam. Quando pulam não acertam o alvo desejado: acertam o alvo errado para você e certo para eles – a água em torno do barco.

Em geral, sou um pouco do havaiano, que sofre o pau heoheo, isto é, volto da pescaria sem nenhum peixe.

nov

5

ANDRELI

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Você hoje vive o primeiro dia do décimo sétimo ano de sua vida. Você até agora tem principalmente desenvolvido hábitos que lhe dão prazer. Mas, lembre-se de que a abstinencia do prazer também pode dar muito prazer. Não é propensa a amar. Procure ser amada, entretanto. Pois, amor não é nenhuma garantia de não-ofensa. Em se lhes dando os motivos certos, pessoas que nos amam pensam primeiro em si. Amor é egoísta. É preferível tudo fazer para ser amada que dar amor.

Somente a amizade partilhada interessa enquanto dura. Partilhamento de amizade alonga o futuro. Amizades de hoje somente interessam se vão estar no futuro. Velho raramente é amigo de outro velho, por que a amizade não vai estar no futuro. Um problema que você vai encontrar é que na sua genética você pertence a um terço de qualquer grupo, seja para conversar, estudar, divertir ou se alimentar. Quando se tem dois terços diferentes de você em qualquer atividade, seu isolamento é um ipso facto. Se desejar conviver, apesar disso, para ter sucesso é melhor fingir que você tem os atributos negativos de todo mundo. Adolescentes não toleram alguém da mesma idade com atributos diferentes da maioria.

Vou lentamente me esquecendo das pessoas que demoram demais para se lembrarem de mim, depois que demonstrei me lembrar delas. Quando reclamam que as abandonei, digo-lhes que não basta lembrar para ser lembrado, mas demonstrar que lembrou. Lembrança sem demonstração não tem eco. Somente esquecemos de quem não mais nos é interessante. O interesse é a raiz da amizade.

A amizade que lhe convém torna seus dias mui leves. Hoje a leveza me assusta. Cada noite me é tão leve que não noto ter havido diferença entre trabalho e lazer; esforço e descanso, barulho e silencio, ganho e perda; satisfação e decepção; interesse e desinteresse; amor e ausência. Tenho medo desse remanso. Não caia em seus redemoínhos. Só tem um propósito, engolfá-la.

E finalmente, encontre uma área em que se concentrar. Que não seja educação. Milhares já tentaram antes de você. Eduque seus filhos quando os tiver. Evite as recomendações dos governos. Nunca são boas, por que coletivas. Nós não somos coletivos. Você, muito menos.

NÃO bloqueie as excitações. Quer venham do fundo da alma ou de momentos oportunos, a excitação dá impulso à vida. Vida sem excitação que nos sacuda é a de plantas. Almas ensolaradas vivem excitadas até mesmo pelos motivos errados.

Quando precisar mudar, mude. Somente o individuo sabe as causas de mudanças desejáveis em sua vida. Mudanças profundamente desejadas cicatrizam todas as feridas de quem as consegue. Se não precisar testar isso, por favor, não tente. Mudanças são portões para uma nova vida, antes que a morte nos alcance e não haja mudanças para fazer, nem portões para atravessar.