Categorias

Você procurou no Trivia Philosophica nosso blog for outubro, 2009.

out

20

COMPUTOFILIA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

29.200 horas de computador por ano, quer imeliando, quer internetiando, pode ser causa de obesidade, falta de socialização concreta, de desfoque de atenção à realidade, e de mau desempenho em assuntos práticos.

Tenho observado que o computófilo obcecado não tem interesse em resolver problemas reais, é inseguro no lidar com eles, e pobre observador. O seu problema maior é, todavia, a perda de habilidade em se concentrar.

Contrariamente ao esperado, o computófilo não tem u´a mente aberta. Exibe baixa flexibilidade na conversa em grupo; carece de imaginação diante de desafios; tem pouca imaginação, e quase nenhuma originalidade.

Tenho observado que o computófilo irrita-se facilmente e é úbere de convicções. Não tem vocabulário mais largo que antes de se tornar um escravo da computofilia.

O seu senso de humor arrasta asas no chavascal das vulgaridades presentes na internet. Não tem idéias independentes; o que pensa tem a marca do que leu na telinha, isto é, ramerrões do cotidiano que nada têm de ciência.

O seu julgamento é prêt-à-porter, engolfado em informações difusas. Tem pouca paciencia com o real e é pouco articulado com ele. Ao contrário do que se pensa, o computófilo não tem fluência de idéias. Embaraça-se na descrição do simples, apresentando várias alternativas, sem muita convicção sobre a mais eficiente.

Enfim, o computófilo soluciona problemas por serendipidade, isto é, por uma espécie de achado feliz. Não é um self-starter. Prefere buscar com intuições sobre o que pode dar certo.

Sua baixa capacidade de se concentrar se alimenta no impulso.

out

19

SANGUE LEVE

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Prefiro as conversas edificantes sem bebidas e comidas. Apenas meu guaraná em pó de cada hora me estimula a estudar situações, dramas e impasses, a criar e rever. Sou mais preciso com ele que com qualquer nível de álcool ou proteínas.

Gosto de algum álcool do vinho tinto noturno para escrever e para conversar, nunca da cerveja ou de carne para esse fim. A cerveja não deixa na boca o sabor que suspende o pensamento.

Em inglês existe a palavra “sip” - um modo de molhar os lábios com algumas gotas caindo na língua. Com a cerveja isto é impossível. Os grande goles que exige de certa forma a vulgariza.

Não sei orientar quem quer que seja, se de antemão estou sabendo que a pessoa está se alterando a cada gole e a cada bocada. Somente o cérebro não estimulado por bebida ou comida recebe orientações que ficam. Se me fosse dado escolher, somente faria palestra ou daria aulas em jejum, com todo o mundo em jejum.

Com o estômago vazio, o sangue flui mais rapidamente. Ainda não foi carregado das impurezas possíveis em cada alimento. Supostamente temos um cérebro sendo irrigado por sangue leve. Isto deve favorecer o raciocínio desejável.

Os frades medievais e alguns de hoje rezam em jejum às 4 horas da manhã para infundirem mais fé no que raciocinam. Acredito que se estudássemos sempre de estômago vazio aprenderíamos muito mais. Quando bem alimentados nosso raciocínio se arrasta pesadamente.

Baseado neste princípio, os que desejam realmente dedicarem-se ao trabalho intelectual, lendo e escrevendo, deveriam deitar-se às 21:30 e acordar às 05:30 para estudar, sem comer ou tomar qualquer coisa. O homem é melhor para qualquer coisa em jejum.O próprio sexo em jejum é mais potente.

Por quê? O sangue do corpo sob o comando do cérebro atende primeiro à digestão, por que esta está associada à sobrevivência, missão primordial. Quando o sangue está trabalhando no estômago não estará completo com toda sua força em nenhum outro lugar do corpo.

Nada havendo no estômago em sossego, o sangue do cérebro tem toda a liberdade para fazer o macho mais potente e a mente mais produtiva.

out

13

HÁBITOS QUE DÃO CERTO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

A longevidade de uma pessoa se hasteia nos hábitos que ela tem. Procurar saber, aprender, e adotar os hábitos sadios dos longevos é a maneira mais prática de se tornar um deles. Considero-me um longevo, apesar de não ser idoso (carregado de anos vividos). Tenho lá minha penca, mas estou longe de um cacho. Quando me perguntam a idade, devolvo-lhes a pergunta: quantos anos lhe pareço ter? A idade aparente percebida por quem quer saber é sua melhor idade para quem pergunta. Encontrando a média aritmética de todas as idades percebidas, você fica sabendo a idade que aparenta ter. Nada mais correto que isso para pautar seu comportamento futuro. Comporte-se segundo a idade percebida por dezenas de pessoas, e você estará vivendo o real. Nada mais confortador que estar no real percebido, mesmo falso.

O real revela seu estado de saúde. Este revela o que é percebido. Afinal, quando nossos critérios de qualidade pessoal não coincidem com o percebido para nada servem. Tenho seguido as recomendações dos persas com exceções:

1. coma cinco pequenas refeições por dia;

Comentário: não sei o que é para outros pequenas refeições. Para mim, pequena refeição é menos de 150 gramos. E, por que cinco? Três não bastam?

2. Suba escada em vez de usar elevador;

Comentário: tudo muito genérico. Qual a frequência das subidas? Qual a velocidade? Quantos degraus? De um a um ou de dois em dois?

3. Ria à vontade;

Comentário: Sorrir é fácil, rir não é. Considere-se abençoado quem encontra uma oportunidade de gargalhar uma vez por mês. Outra generalidade até certo ponto irresponsável.

4. Beba 8 copos dágua por dia.

Outra bobeira. Ninguém, a não ser em regime obrigatório, bebe oito copos dágua por dia. Com toda minha disciplina pessoal, não bebo quatro.

5. Relaxe com meditação.

Em primeiro lugar, parece que ninguém sabe muito bem o que seja relaxar. Cada um inventa o que pensa ser relaxamento. É possível livrar-se de alta tensão, mas relaxar pode ser outra coisa.

O que desejo tornar evidente é que não há hábitos que dão certo a todos. Cada um tem que definir os próprios hábitos, e se não derem certo, voltarem a repeti-los, se ainda tiver vontade de fazer isso.

out

5

ANALFABETISMO CIENTÍFICO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Atribuo ao analfabetismo científico de importantes governantes no três níveis administrativos, os erros, lapsos, imprecisões, aberrações, fracassos e irregularidades dos quais o povo purga e o presidente se ufana. Há algo de falso quando o ufanismo voa e a realidade se arrasta.

O Presidente está na fase de vida em que se simplifica a realidade. O Brasil está ganhando espaço internacional, mas pouco avança internamente. Se usássemos um critério para desenvolvimento de um país de grande dimensão territorial seria a quilometragem de estradas alfastadas, considerando que ainda dependemos do carro para nos comunicar efetivamente e fazer negócios.

Somos infantes nisso, comparativamente aos países de alguma expressão econcômica internacional. Nosso presidente globe-trotter e ufanista pouco se importa com o real – está obumbrado pelos próprios sonhos grandiloquentes. O país cresce com tal pujança vegetativa que não precisa ser vendido para ter ofertas. Lula nada mais faz de mérito que oferecer o abundante.

Por quanto tempo a oferta será mais atraente que a demanda? Outros países em outros cantos do globo estão crescendo silenciosamente. Poucos dos seus presidentes os estão colocando nas prateleiras do mercado internacional. Nisso consiste o oportunismo triunfante de Lula?

Alguns políticos de ampla mídia e de pouca ciência são convidados para ocupar altos cargos na direção do país. Têm que desempenhar específicas funções no governo, envolvendo decisões sobre as quais não possuem teorias científicas. Seriam estas desnecessárias para a condução do País? Sem teorias científicas sobre o que fazem, seriam eles capazes de fazer análises, estudar os riscos ou predizer consequencias?

A “numerofobia” para análise estatísticas é um lugar-comum entre administradores públicos. Parecem desprezar os aspectos quantitativos dos problemas que lhes afetam. Preferem deduções intuitivas e entregam a auxiliares burocratas as partes mais importantes para as soluções.

Uma grave sequela da fobia ao quantitativo é o desinteresse pela lógica e pela atitude científica. Os raciocínios lógicos lhes parecem bons, mas são defeituosos. Embora possam ter auxiliares cientificamente treinados, estes nada podem fazer que contenha os impulsos do generalista influente.

Não é fácil ajudar quem precisa mostrar que não precisa de ajuda.

out

5

VOCÊ É O QUE NÃO COME

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Cientistas da longevidade e especuladores têm estado explorando várias rotas para aumentar os anos saudáveis vindouros. Uma das metodologias que tem ganho muita atenção é a restrição calórica: quanto menos se come menos calorias. Em outras palavras, calorias são mortais. O princípio é consumir o menor número de calorias possível.

A forma mais direta de consumir pouca caloria é comer pouco. A prática de hara chi bu ensina que você deve comer apenas 80% do que considera suficiente. Suficiente é aquele ponto em que não mais se tem fome. A fórmula é antiga, é do século XII: Santo Agostinho – um dos fundadores da Igreja Católica – aconselhava que devemos parar de comer quando não mais tivéssemos fome. Restrição calórica é o princípio. Deixe 20% do que iria comer, no prato. Tenho usado esse método com grandes vantagens. Há muito tempo não passo dos 64,500 kg, que foi o máximo que jamais atingi. Comer ad libitum é mortal.

A dieta com restrição calórica não é útil somente ao humano, é também aos outros humanoides. Os experimentos na Biosphere 2 (setembro 91 a setembro 93) mostraram os efeitos da restrição calórica em pessoas. Humanos, quando limitando suas calorias mostram os mesmos efeitos nos marcadores de nível sanguineo, que são características de restrição calórica em outros mamíferos.

Não me preocupo muito com longevidade quando escrevo sobre este assunto. Mais me preocupo com a vida corrente, e o que restrição calórica me pode dar. Recentemente fui informado sobre o SIR2 (Regulador de Informação Silenciosa) que é evolucionaria, típica de mamíferos, incluindo humanos. Regula a idade no fungus. O resveratrol contido no vinho tinto estimula o SIR2, potencialmente em fungus, sem restrição calórica.

Mas, o fundamento da restrição calórica, independente do que se come é comer pouco. Há anos como menos do que quer que seja menos de 250 g por almoço, depois que fiquei em jejum pelo menos 10 horas.

Como diz o Dr. Mark Mattison, limitando calorias ou jejuando induz mudanças fisiológicas saudáveis no cérebro, favorecendo melhoramentos cognitivos. Estes incluem decrescentes formação dos danosos radicais livres; melhor utilização de glucose pelas células cerebrais ; aumento da secreção dos sinais bioelétricos ou fatores tróficos, ativando genes neuroprotetivos.

out

2

QUEBRANDO INÉRCIA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Não há nada mais próximo da morte que inércia. Se você for aposentado doente, inseguro de suas habilidades ou irremediavelmente preguiçoso, talvez a sua inércia não tenha alternativa temporariamente. Mas, se for apenas aposentado, a sua inércia tem tratamento. Ela pode ser interrompida, quer seja você empregado ou desempregado. Se está empregado, é insano estacar-se num trabalho de que não gosta e que o aproxima da inércia. Se está desempregado, é um tolo em continuar inerte. Com os mercados em contínuas mudanças, consorciações e novas tecnologias, as empresas buscam experiencia sedimentada, necessaria para fazer competição. As mais antigas e ativas sabem que para enfrentar tal tempestade é preciso contar com remadores que sabem remar. Quando a maré é mansa, até mancebos servem. O aposentado é a melhor escolha quando o mar está revolto. É possível que você ainda não tenha um emprego, porque está acometido das mais comuns fraquezas humanas: acomodação e insegurança.

Para fugir da inércia é necessário que não tenha medo da rejeição por mérito. Qualquer aposentado superiormente educado que ofereça sua larga experiencia e especializações corre o risco de estar oferecendo-as às pessoas erradas. É claro que ninguém está esperando tal oferta sem gastos com buscas e marketing de pessoal. Além disso, há gerentes que temem contratar experientes pela potencial concorrencia a seus cargos. Não hesitam em ignorar sua oferta ou lhe dizer que no momento não podem contrata-lo.

Buscar trabalho é uma imensa chateação para o aposentado. Mandar currículo não basta. Em nosso estágio de desenvolvimento, executivos confiam mais em recomendações de pessoas que conhecem que em espessos currículos. A saída é networking: contatar amigos, colegas e ex-diretores. Pedir a cada um que sugira seu nome a executivos que possam estar precisando de suas qualidades. Aumente a frequencia a palestras e seminários empresariais e faça andar sua conversa sobre o que sabe fazer.

Porém, se você deseja agir solo, deve estar preparado para baixar sua renda mensal por algum tempo. Poucos dos mais categorizados aposentados estão preparados a serem auto-empregaveis. Sair da adequação de um emprego para uma completa autonomia exige muita determinação, algum capital, e personalidade forte. Você terá que fazer muito de muita coisa que outros faziam por você, inclusive digitar cartas. Já pensou estar precisando vender-se com todas as oito letras suas habilidades e preparos para quem não está procurando? Você está psicologicamente preparado para esperar um mês ou mais o que você pensou e necessitou que fosse hoje? A regra dos vencedores é: sobrevivencia primeiro, depois sucesso, não importa quanto tenha que esperar. Se você está com pressa vai ter que procurar outra fonte de alegria.

Aposentados, buscando trabalho, precisam ser uma espécie de travestis. Despojar-se da personalidade antiga, se possível, sem perder a dignidade conquistada, e iniciar uma nova vida com a confiança da juventude que sente ter. A vantagem é que em novo emprego, trabalhando para outros ou iniciando um negócio próprio, há um ressurgir de juventude na mente e no corpo abalados. Já não lhe bastará os reflexos dos exercícios do sexo conquistado.

Vai querer nova força batendo no peito bem forte, estar bem longe da morte e atarracado na vida.