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jul

29

PESSOAS ERRADAS PARA VOCÊ

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Temos poucas oportunidades para escolher as pessoas mais ou menos permanentes em nossas vidas. Mesmo entre as pessoas selecionadas, a chance de encontrar algumas erradas, é alta. Os espinhos delas estão escondidos além da polpa, como nos caroços do pequi.

A força do nosso magnetismo pessoal parece ser uma função do tipo de pessoas que encontramos e inserimos em nossa vida. Quando são as erradas para nós atuam como bloqueadores de nosso magnetismo. Ninguém o tem em quantidade suficiente para elas. Embora não sejam suas inimigas, as pessoas erradas “não gostam de você” mas não lhe dizem isso. Sutilmente:

· Enfraquecem seus relacionamentos com outros;
· Evitam você quando podem ter uma boa desculpa;
· Não discutem seus problemas pessoais com você;
· Julgam seus progressos usando peneira fina para seus erros;
· Buscam evitar que suas idéias influenciem seus amigos;
· Não fazem nenhum esforço para premiar seus méritos;
· Não compartilham suas experiências com você; e
· Minam sua autoconfiança quando o percebem progredindo.

É antigo vezo meu aprender mais com o complemento que com o conteúdo do que me é ensinado. Se me ensinam P aprendo mais com Q e vice-versa. Sou um tipo estimulado pela cara quando dá coroa. Mas, não aprendi ainda a complementar meu ocasional e fugaz magnetismo, que em geral, mais me tira que me dá.

Magnéticos são alvos de ciúmes, em qualquer tempo e lugar, das pessoas erradas e das potencialmente erradas. Descobri-las antes de conviver com elas é necessariamente para mim o mais útil uso da inteligência.

As pessoas erradas obstaculizam o exercício de seu magnetismo pessoal. Elas podem ter ou não culpa, mas sempre serão como a mosca que caiu na sua sopa. Você pode aceitar o acidente, mas a sua refeição estará definitivamente estragada.

Nossas reações e comportamentos com as pessoas que encontramos podem plasmar nossa personalidade duradouramente, aumentando ou diminuindo nosso incipiente magnetismo. Todavia, nenhuma edificação pessoal aumenta nosso magnetismo, quando as conexões dos eventos vitais nos trazem mais pessoas erradas que certas com quem necessariamente temos que interagir.

jul

28

SIMPLICIDADE

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Disse Jim Rohn – um filósofo sobre sucesso – que sucesso nada mais é que um refinado estudo do óbvio. Pode ter sido sua intenção sugerir que o complexo nunca é óbvio. Pessoalmente, tenho observado que a necessidade de provar é um indicador de que o objeto da prova é duvidoso.

Em ciência existe o principio de Ockham´s Razor. Ele nos diz que, entre teorias competitivas, a mais simples tem maior chance de ser a verdadeira. Entretanto, a mais simples teoria não é necessariamente a mais facil de entender, até por que o entendimento de algo é uma função do nível de conhecimento de quem o ouve ou lê.

Presumo que de acordo com o contexto, a Lei Natural é a própria simplicidade. Os nossos tetravós que viveram há mais de cem anos eram necessariamente simples. Obedeciam a Lei Natural. Evitavam o complexo, mesmo correndo o risco de parecerem ignorantes. Entendiam que nada vital poderia ser complicado. O que o raciocinio simples não pudesse tornar claro a eles era simplesmente bobagem.

Hoje, na era da informática, os programas que sobrevivem são os simples. Há muita complicação no uso do computador e da internet. Ninguém, nem mesmo os treinados, entende muito bem de um ou de outro. Quando um novo conhecimento precisa de especialistas para ser entendido, nasceu morto.

Veja o caso da nutrição. Hoje, dá-nos a impressão que para comer saudavelmente é preciso a intervenção de nutricionistas. O simples que precisa ser complicado para ser útil não é evolução. É o caso dos alimentos cozidos. Durante milhares de anos o alimento que manteve o homem saudável não precisou ser cozido. 99.99% de toda comida vinda da terra deve ser comida crua. Ela é a mais perfeita comida para consumo humano. Crio a minha sadia e linda Suchie (chow-chow chinesa) como se fosse humana, com carne crua, não com ração. Dar-lhe-ia verduras e legumes se aceitasse. Mas, os animais carnívoros não se preocupam com longevidade.

Precisamos de transformação para nos alimentarmos tão-somente de folhas verdes e outros produtos diretamente da terra, como faziam nossos ancestrais.

jul

28

SER LIVREMENTE PRESO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

O progresso social numa civilização tira a liberdade absoluta. Parece que a civilidade é também grilhão. No sentido natural, quanto mais civilizado mais preso. É um círculo vicioso: se tivermos como meta ser de fato livres não podemos nos desenvolver. A tese desta Trivia é que o desenvolvimento aprisiona. Com ele vem leis, normas, estruturas e objetivos fixados por outros. Não basta ser livre, é preciso sentir-se livre num contexto livre de outros contextos, agindo sem calendários e sem obrigações de continuar agindo.

Não é possível ser realmente livre quando se tem aspirações, que nos conduzem a querermos ser o que ainda não somos. É assim que vive o índio na mais recôndita região amazônica. Numa analogia forçada, seria viver como animais ainda não predados pela civilização. Vivem sem medo: o homem pode aproximar-se deles, sem que eles fujam. Entendem, no próprio contexto, que todos habitantes do planeta (floresta) são iguais, independentemente da forma do corpo e das maneiras de andar, correr, comer, dormir e ser. A foto demonstra a alegria desses seres quase imaginários, estampada no rosto de sorriso puro. Encarnam o que desejamos como felicidade, impossível aos civilizados.

Talvez, a única ambição desses angélicos aborígenes ter o que caçar, o que comer, e onde dormir cada dia. A felicidade, imagino, é assim: quando a temos somente nos preocupamos com a satisfação das demandas do fisiológico - as mais simples das demandas. As demandas espirituais somente existem para quem as quer; as demandas psicológicas existem apenas quando um membro da tribo morre ou nasce.

E nós civilizados? Temos que ser prisioneiros de nós mesmos para ter uma vaga sensação de liberdade que somente dura até encontrarmos uma lei ou uma norma social que a restringe. Elas são abundantes: cerceiam-nos em todos os contextos de nossa artificial mobilidade.

Quanto queremos ser livres e felizes como o primeiro indio da foto? Não, responderia qualquer desenvolvido que tivessse essa escolha. Diria que é preferível ser um civilizado preso a um selvagem livre. Entretanto, considerando que a morte virtualmente acaba com todas as conquistas do cérebrocivilizado, ser feliz assim pode ser o destino que nos foi reservado nos primórdios de nossa criação. Talvez, valesse a pena estarmos a alguns centímetros apenas dos animais e não metros. O que foi num passado remoto e mal conhecido que transformou nosso destino?

Teria nossa ciencia e tecnologia desenvolvidas nos afastado do plano criador? Seria o uso da liberdade o instrumento desse afastamento?

É claro que o avanço e o desenvolvimento são desejaveis pela propria inteligencia. Seria a felicidade somente atingível duradouramente através da simplicidade? Seria a complexidade uma criação incompativel com a felicidade do homem desenvolvido?

jul

24

EFEITO SÃO MATEUS NA CIÊNCIA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

22 de dezembro de 2008

A  evolução científica que desejo abordar em continuidade à Trivia de ontem tem pouco, mas nem tanto, a ver com o profundo tratado de Stephen  Jay Gould  “The Structure of Revolutionary Theory”  mas com a mais terrestre continuação da escrita: produtores e consumidores de ciência e teorias. O número deles é tão apoucado, que também parece ter sido planejado.

Sabido que o número de produtores se alimenta no número de consumidores de ciência e que a rapidez de implantação dela é o caminho menos opiniado de evolução objetiva, não se entende a despreocupação dos mais educados com o seu avanço.

Considerando nossa curta vida cientificamente produtiva é inexplicável o desinteresse da maioria dos capacitados pela continuidade de seus avanços e de outros. Nisso também intuo um bloqueio “planejado” e uma descontinuidade incompreensível. Os consumidores de ciência são relativamente aos consumidores de ficção muito poucos e os produtores muito menos. Na verdade, parece haver um bloqueio sobre o que se pode controlar no bloqueio que se não pode. Mas, deixemos o mistério.

Os paises mais desenvolvidos, em volume de produção de trabalhos científicos, têm sido Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Alemanha, França, Canadá, Rússia e China, responsáveis por quase 70% das publicações mais usadas pelos pesquisadores de todo o mundo em cerca de 3.000 periódicos científicos. A distorção contributiva é ainda maior quando constatamos que aproximadamente a metade dessas publicações é oriunda dos Estados Unidos.

Onde está o Efeito São Mateus. Este evangelista disse mais ou menos que “aos que têm muito, muito será dado, e aos que têm pouco, este pouco lhes será tirado”. Mais de dois terços de toda produção científica significativa ao avanço são conquistados por apenas oito dos 160 países em condições de produzir. Brasil, para nosso orgulho, está na 24ª posição. Mas, mesmo assim nosso país produz menos que Holanda, Austrália, Espanha, Suécia, Índia, Suíça, Finlândia, Áustria e que Israel, mais ou menos nessa ordem.

O efeito São Mateus se torna ainda mais evidente, quando se verifica que os trabalhos de países menos desenvolvidos não são citados em publicações (principalmente em inglês) desses países desenvolvidos. Em parte é porque hoje uma produção científica de alhures não anglofônica não é lida pelos mais citados na literatura de qualquer ramo científico.

Diariamente sentimos os nefastos efeitos da profecia de São Mateus. O monolinguismo de nossos pesquisadores; o uso do lazer para ter prazer, em vez de ler, estudar, pesquisar, aprender e ensinar; o excessivo comodismo em querer se informar através da fugaz internet; o pouco tempo de laboratório; a rápida saciedade com o pouco conhecimento, etc. nos estão tornando merecedores das vergastadas de São Mateus.

jul

24

MATEMÁTICA: MELHOR MEDIDA DE CIVILIZAÇÃO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Carl Sagan – famoso explanador e divulgador científico da cosmologia – dizia que para nos comunicarmos com os extraterrestres teremos que usar mais matemática. Somente através da matemática poderemos conversar com eles.

A matemática é a mais detestada pelos alunos e a mais silenciosa das disciplinas em qualquer currículo.

Países desenvolvidos tendem a ter maior volume de matemática em seus produtos tecnológicos que os não desenvolvidos. Sem ela um país não produz invenções de natureza científica e de longo fôlego.  Sem tais invenções ele está condenado a ser usuário e a aprender a língua dos inventores, o que seria bom, se fosse só isso.

Entretanto, há países que são apenas parcialmente desenvolvidos, mas demonstram ter conveniente volume de matemática nas suas produções acadêmicas e industriais. Eles, seguindo a tese desta Trivia, têm mais chance de desenvolvimento global que outros, sem esse atributo, quase cem por cento cerebral. É o caso de Hong Kong, Coréia do Sul, Coréia do Norte, Iran, India e notáveis outros. Índia é a única nação emergente com programas de Ph.D. em matemática. É também mais avançada que nós em informática e algumas outras tecnologias de ponta, apesar de ser (dada a sua população bilionaria ) relativamente mais pobre.

Um país não precisa ser grande nem famoso pelo volume de suas exportações para estar entre os melhores em avanços científicos. Mas, é preciso ter o ensino de matemática como prioritario em todos os currículos. É o caso da Finlandia, Hong Kong e Coréia do Sul, além da Australia, Canadá, Alemanha e Dinamarca. Os Estados Unidos, que são hors concours em desenvolvimento total estão vivendo um declínio no ensino secundario da matemática há vários anos. Espero que ninguém me condene em afirmar que o mais claro sinal da perda de liderança de um país desenvolvido está na perda de liderança em matemática.

Nos testes recentes aplicados a nacionais  de 15 anos de idade, em 40 nações da OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) , um órgão baseado em Paris, representando 30 nações (10 foram voluntarias) verificou-se que os adolescentes com maiores escores em matemática eram nacionais de Hong Kong, Finlandia, e Coréia do Sul – espaços planetarios educacionalmente desenvolvidos. O estudo não apenas buscou saber o desempenho medio de alunos, mas também quantos de cada país eram os melhores (no topo). Separou alunos em sete grupos, abrangendo do nível 6 (o melhor) ao nível 1 (menor). Os alunos restantes ficaram abaixo do nível mínimo (1) - a categoria que incluiu mais da metade de alunos do BRASIL, Indonesia e Tunisia.

Nos Estados Unidos, apenas 10% dos alunos ficaram em um dos dois grupos melhores, menos da metade dos de Canadá e um terço do total do líder – Hong Kong, que teve 30.7% de seus alunos nos topos das duas categorias (leitura e matemática). Finlandia teve a menor porcentagem de alunos com baixo desempenho (6.8%).

A avaliação visava testar a habilidade dos alunos a reconhecer quais cálculos matemáticos eram necessarios , e como fazê-los, e como lidar com as questões que estariam no dia-a-dia do cidadão comum. Os testandos que melhor se saíram foram os que enfatizaram aspectos práticos da matemática.

O LEVANTAMENTO verificou que enquanto os bons alunos tendiam a se considerar bons, os países que melhor se saíram tinham um grande número de alunos que não sentiam que tinham saído bem no teste. Nos Estados Unidos, 36% dos alunos concordaram que não eram tão bons em matemática, enquanto que em Hong Kong, 57% acharam que não eram grande coisa em matemática. Em Hong Kong, somente 25% disseram que tinham boas notas, o menor índice de qualquer país.

Uma das verificações psicológicas desse exame internacional da OECD é que o desenvolvimento em matemática está associado com países fortes, mesmo que não famosamente ricos. A outra é que, quem de fato estuda matemática não tem segurança absoluta de quanto sabe.

MATEMÁTICA é para mim a única ciencia sem uma perfeição atingível. Imita o ser humano – não atinge perfeição em nada. Quanto mais se a pratica menos se tem segurança de que a domina. Nisso se parece com a alma isenta de pecado. Os países fortes em matemática estão sempre precisando crescer, porque não consideram suficiente a matemática que têm. E os países fracos parecem sentir que já cresceram o bastante com a matemática que têm.

Mais de uma centena dos l65 países do mundo não têm ainda a consciencia de que sem matemática não se desenvolvem. ELA É O METRO PELO QUAL SE MEDE O NÍVEL DE CIVILIZAÇÃO DE UM POVO E DE QUALQUER INDIVÍDUO, aqui e talvez em outra civilização. . Pitágoras, mais uma vez, estava certo.

jul

17

Direito e Poder

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Estar preparado para o exercício de um direito e de um poder é tão importante quanto tê-los. Temos o direito e o poder de procriar, mas isso não nos faz bons pais. Os povos têm o direito e o poder de se auto-governarem, mas isso não torna seus países democráticos. Quando somos investidos do direito e do poder do que não entendemos, regredimos ao estado anterior ao direito e ao poder, que não sabemos usar.

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Sopa de Pedras, 108

jul

14

CONVICÇÃO ÍNTIMA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Não sei de nada que nos faça tão convictos intimamente que consciência. É a nossa capacidade de ser independente de tudo o resto. A não ser em estado de patologia mental, não conseguimos mentir a nós mesmos. Mentirosos contumazes não têm convicção íntima, porque já estão doentes. Os processos elétricos e químicos, que se desdobram no cérebro, aumentam nossa complexidade, quando não temos convicção íntima. Quando minhas filhas começam a se desculpar com longas explicações, não lhes digo que acredito ou desacredito, peço-lhes para consultarem as próprias consciências. Entretanto, às vezes fico sem saber se o relato mentiroso está no cérebro ou em outro lugar dele, que alguns chamam alma. Em que parte do cérebro estaria a fé? Seriam a mente e o cérebro coisas diferentes? Um problema ainda não suficientemente estudado nessa diferença está nos relatos dos que morreram clinicamente e foram recobrados. Todos dizem ter entrado num túnel escuro com uma luz no fim dele. Alguns relatam até coisas que foram feitas na sala de cirurgia, após terem sido considerados mortos. Todavia, o cérebro estimulado de alguma forma produz essas experiências. Não seriam as mentiras na vida corrente experiências mentais inacabadas, como as de pessoas tidas como mortas clinicamente? Neste caso, a alma não é cérebro, mas a única capaz de convicção íntima. Entretanto, mentiras em que o próprio mentiroso acredita, não podem ser alucinações. Quem puder resolva esse cogito ergo sum.

jul

9

O QUE? ONDE? QUANDO?

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Se sua memória ainda está apta para se lembrar claramente do que fez, onde fez e quando fez há mais de um mês, você tem memoria episódica – sinal de que está consciente.

Não é um feito tão grande assim, porque roedores também têm essa habilidade, como sugere artigo em Journal of Animal Cognition. As fêmeas de roedores (voles) têm um rápido período de receptividade. Os voles machos parecem saber dos períodos de receptividade das fêmeas. Quando querem copular (reproduzir) sabem onde encontra-las e quando a receptividade é alta.

Não é apenas instinto, é mais que isso. Os machos usaram informações anteriores. Para satisfazer o instinto de reprodução (o que) encontrar a fêmea (onde) em seu máximo período de receptividade (quando) o macho precisa ter memorizado esses três eventos, aparentemente, apenas naturais.

Extrapolando desse evento no mundo dos voles, podemos testar nossa memória episódica tentando lembrar o que fizemos, onde fizemos e quando fizemos um dado ato humano no mês anterior. Se não conseguimos, estamos menos aptos para atuar na vida moderna.

Estamos envelhecendo, quando lembramos incompletamente do “o quê, do onde, e do quando” fizemos o que gostaríamos de lembrar.

Se você não tem hoje u´a mente incapaz de “viajar no tempo” você pode estar sentindo os primeiros sinais de irreversivel decrepitude. Pode ficar sem comer, se não se lembra o que (carne) onde estocou (freezer) e quando (anteontem) estocou a carne para o almoço. Você pode estar se tornando incapaz de antecipar necessidade futura.

ESSA INCAPACIDADE O MANTERÁ NA POBREZA.

jul

6

CRENÇA EM DEUS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Há uma clara diferença entre crer em Deus e crer na existência de Deus.

Cremos ou não cremos em alguém quando o/a conhecemos de forma direta. Não conhecemos Deus de forma direta, logo não podemos descrer ou crer nele.

Todavia, conhecemo-lo de forma indireta, através de suas percebidas obras na Terra e no universo.  Isso torna clara a existência, não a entidade.

Crer na existência de Deus é uma necessidade para nossa elevação acima dos animais e das coisas, que são também suas criaturas, apesar de impedidas de imaginar sua existência.

Mais vale perceber a existência de Deus através de suas obras que crer nele por medo ou imaginação do seu extraordinário poder. Deus percebido é mais real que Deus crido. A percepção é da inteligência, a crença é do coração. A inteligência é universal e o coração é particular. Ninguém sabe o que sente o coração.

Portanto, é mais concreto e demonstrável crer na existência que crer na entidade que se não conhece.

Sendo Deus de incalculável abrangência é mais real percebido que crido. No meu contato com pessoas e coisas do mundo percebo a presença de Deus, sem precisar crer nele. A crença em Deus é um pressuposto de crer na sua existência.

jul

3

LA MALDITA FALTA DE GANAS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Alexandre do Espirito Santo

Não, não me refiro ao DSI (Desejo Sexual Inibido). O Brasil nunca esteve mais sexual que hoje. Nos lares e nos bares, nos colégios, empresas e instituições “um atraco al dia”.

Refiro-me à falta coletiva de vontade de crescer como ser humano inteligente, como sociedade desenvolvida. A mantida globalização dos/pelo/para americanos deixou todo país emergente esperando. Agora que quebraram, para onde vamos?

O reino dos quatro verbos da desedificação pessoal se expande como morangos, criando raízes por propagação vegetativa. Todo mundo parece não querer fazer outra coisa: COMPRAR, REPRODIZIR, DISTRIBUIR e VENDER. Quando virá a exaustão desse comodismo? Onde ficam os produtores dos produtos e das sementes?

Ninguém procura ninguém para crescer como pessoa juntos. Os únicos interesses pessoais se fundam nesses quatro verbos do subdesenvolvimento. Viramos todos gaijins (externos) sós e circundados por pessoas. I have no reason to shop the season. Mas, quem está no verão e no outono da vida não pode parar. Estamos sofrendo de inaptidão filosófica, que é mais grave que torpor moral e técnico.

Nossa inteligência coletiva está doente. Sofre de Anteroglade Amnesia ou inabilidade de adquirir novas memórias. Inabilidade de sentir e compreender para responder a estímulos fora dos 4 verbos.

La maldita falta de ganas está nos deixando a todos como ao nosso presidente: inoxidáveis, impermeáveis.