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jun

22

REVENDO MINHAS OPINIÕES

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

ALMA

Expressão da inteligencia tanto em humanos como em animais, talvez também em vegetais. Observar seus efeitos é mais importante que entender suas causas.

AMOR

Sentimento humano perturbador da homeostase. Mais vezes agrada que desagrada. Todavia, poucos sabem lidar com suas consequencias.

ANIMAL

Sempre me dei bem com qualquer animal, mas nunca me apeguei a um deles com esperada profundidade. Simplesmente, não me são inteiramente atraentes. Hoje convivo bem com a Suchi – uma chow-chow que me entende parcialmente.

ANJO

Dizem que é criatura de Deus. Penso que é mais criatura dos homens. Nós precisamos do transcendental para sentirmos equilibrio. Diz o velho testamento que os anjos existem. Não tenho bons motivos para duvidar do  velho ou mesmo do novo testamento.

ARISTOCRACIA

Era um conceito muito forte no passado. Tinha a ver com riqueza, nobreza e carater. Era relativamente facil ser rico e ser nobre, por que convergentes. Mas, o mau carater podia manchar esses dois atributos, e o bom carater não os aumentava.

ARTE

Somente agora no terceiro turno da vida (dia, noite, madrugada) começo a me interessar timidamente por arte. Não tenho mais tempo para aprende-la o suficiente para faze-la mais importante para meu desenvolvimento.

BELEZA

Nunca fiquei chocado por qualquer beleza pessoal, por mais linda que fosse a mulher. Mas, já fui chocado pela beleza da Natureza várias vezes. O que frequentemente me choca é a beleza da expressão da mente interpretando a beleza do coração.

BOM E MAU

Nem o bom nem o mau no mundo me transtorna. Trato-os como esperados resultados do viver. Quando me afetam psicologicamente me alteram, mas não a ponto de considera-los extraordinarios. Considero-os antípodas com suas missões no Planeta.

CAUSA

Nada que ocorre na vida e no Planeta é unicausado. Tudo é pluricausado, mas não sabemos interpretar todas as causas. Considero mais prático e imediato aprender com os efeitos que buscar entender causas.

CHANCE

Chance é acaso, mas também é oportundidade repetida. A chance que nos é dada e não aproveitamos é um jogo de dados. Não precisamos lamentar a sua perda. Estará presente em outras oportunidades se lhe dermos chance.

CIDADÃO

Diz-se que alguém é cidadão quando exibe comportamento cidadão, i.e. um comportamento em que o próximo anônimo é o mais importante cidadão, até prova contrária. Nesse comportamento é removido tudo que seja vulgar e rude. É cultura, que denota alto desenvolvimento das melhores qualidades da natureza mental e espiritual do homem.

CONHECIMENTO

Tudo que a mente sabe é conhecimento, incluindo as intuições nativas da mente. A demonstração dele é a sua força. O conhecimento é fraco quando não pode ser demonstrado publicamente. Quando não pode ser repetido por outro com as mesmas informações, o conhecimento não é científico.

CONSTITUIÇÃO

Em termos legais, constituição é a lei maior de um país. Todavia, nada mais é que um todo constituído de suas diversas partes. Sua marca saliente é a individualidade e sua reputação. De certa forma é o caráter de um povo.

CORAGEM

Todos temos coragem, que pode ser interpretada como expressão de força do coração. O pusilânimes não têm essa força. Implica numa prontidão para enfrentar o perigo. Este está no desconhecido. Coragem, portanto, é a busca voluntaria do desconhecido.

COSTUMES

Diz-se que alguém tem um costume quando no curso de eventos ordinários ele é habitualmente repetido em sua vida. Ordinário implica numa ordem estabelecida. Portanto, costumes de um grupo são eventos ordinariamente ocorrentes nele.

DEFINIÇÃO

Em principio, o que não podemos definir pra nós mesmos, não sabemos. Explicar não demonstra saber. Uma definição precisa incluir tudo que pertence ao objeto definido e excluir o que não pertence. Uma definição é pobre quando inclui, mas não exclui.

DEMOCRACIA

Povo não tem identidade, é anônimo, logo não pode governar-se. O sistema de representação dele por membros que não são, assim que eleitos representantes não passa de uma falácia lógica. É um sofisma dos que a cavalgam até matá-la.

DESEJO

Não sabemos como os animais desejam o que querem. Porém sabemos quão destrutivo é o desejo dos humanos quando não satisfeitos. O atendimento aos desejos fisiológicos nos homens e nos animais é supremo. Não atendidos levam à aberração coletiva.

DESTINO

Destino é uma abstração. Não pode ser modificado voluntariamente, quando se deixa correr o livre curso da natureza. Todavia, o destino não é uma fatalidade. Pode ser modificado quando acontece o que não desejamos. Nenhum destino é um sine qua non.

DEUS

Há duas expressões de Deus em nossa consciencia. Uma é buscando e a outra, encontrando. Encontrá-Lo é uma abstração, buscá-Lo é um dever. Entretanto, somente a busca torna viável o encontro.

DEVER

É nosso dever termos deveres. Os mais congruentes com nossa natureza são criados por nós. São virtudes. Nunca criamos ou assumimos deveres que não sejam justos.

DIALÉTICA

Muito útil para exploração da diversidade do pensamento do outro, que geralmente puxa a brasa para sua sardinha. Pouco se aprende num diálogo quando quem mais sabe é quem mais fala. Não existe dialética onde não há oposição radical.

EDUCAÇÃO

Com pensamento organizado alimentamos a mente assim como com alimento sadio alimentamos o corpo. Sem estar bem alimentado o cérebro não funciona. Essa é a missão da educação, alimentar o cérebro. O resto ele faz até o fim da vida.

ELEMENTO

É a menor parte de um conjunto. Policiais chamam de elemento o transgressor anônimo. Nesse sentido estão certos. O trânsfuga dos bons costumes deveria ser a menor parte da sociedade. Entretanto, os trânsfugas hoje estão também no Congresso.

EMOÇÃO

Essencialmente, emoção é o que sentimos quando somos motivados interna ou externamente a captar sentimentos. Motivação interna para termos de fato emoções é rara. A maioria das emoções em nós é causada externamente. Não nos pertence.

ESPAÇO

Temos espaço quando o espaço que temos não usamos inteiramente. Numa casa, o espaço que temos a mais não sobra, é o espaço que precisamos ter. No espaço em que vivemos, todo espaço vazio é apenas o suficiente.

ESTADO

É um espaço fixado num país. Mas, é também o nosso momento em cada lugar. Todavia, temos um estado em cada sentimento que nunca é fixo. Por isso temos que mudar de estado todas as vezes que somos achados no estado indesejavel.

ETERNIDADE

Eternidade é um desses conceitos em qualquer lingua que não é possível representar ou descrever precisamente. Simploriamente, é tempo sem fim. Também não sabemos o que é. Sabemos apenas imaginar o que seja, mas não sabemos descrever ou transmitir.

EXPERIENCIA

Tudo que aprendemos duradouramente é através da experiencia. Vicária ou empírica é a única aprendizagem que fica. Acredito que estamos no mundo mais para experimentar que para estudar. Parodiando Shakespeare, se estudamos para saber, experimentar basta.

EVOLUÇÃO

Simplesmente falando, evoluir é passar de um estado para outro numa escala crescente. Todo acréscimo ao conhecimento é uma evolução. A evolução do corpo tem limites, da mente não tem. Essa é a maior prova de sermos filhos do Infinito.

FAMILIA

Há dois conceitos na familia humana que nos fazem superiores: continuidade genética e longevidade. Quer pela parte da mãe, do pai, ou de ambos, acredita-se que a prole tem a mesma genética. Sendo uma ou outra coisa, vive-se mais quando se tem familia.

FELICIDADE

Ninguém sabe o que é felicidade global. É um sentimento individual. Cada um a tem quando a sente. A única manifestação concreta de saber que não está feliz é sentir-se infeliz. Pois, o estado de não-dor é um estado feliz.

FILOSOFIA

Cum grano salis, filosofia é a mãe da ciencia por que ninguém sabe quem é o pai. Não é que ser pai seja mais importante, ser mãe é, todavia, mais fecundo, pode procriar com vários pais. É isso que a filosofia é: promiscua mãe de muitas ciencias.

FÍSICA

Física e matemática são as mães das ciencias exatas. Mas, são mães de poucas crianças. A tia Química é que é a mais fecunda. Seu genes está mais abundantemente no sangue de maior número de ciencias. A Matemática diz, a Física explica, a Química aplica.

FORMA

Tudo tem sua forma própria. Dizem que somente os átomos são uniformes. A forma variada de tudo enriquece o Planeta, mas dificulta entendimento. A uniformidade empobrece o raciocinio, mas facilita o avanço. A ciencia somente avança com repetições.

GOVERNO

No mundo animal original não há governo, às vezes há medo. No caso do humano nem sempre há medo, mas há conveniencias para aceitar governo. Governo e liberdade são conveniencias antípodas. Homens e animais só aceitam governo depois de domesticados.

GUERRA

Guerra para quem morre ou mata é a negação de pragmatismo e a máxima expressão de subordinação aos ideais de outros. É irônico que os iniciadores e os comandantes da guerra nunca morrem nem matam nela. Quem não sabe nem o por que da guerra é que mata e morre, pensando que está defendendo a Pátria.

HÁBITO

Hábito é uma segunda natureza, é um velho refrão. Mas, não é apenas velho, é verdadeiro. A que longamente estamos habituados repetimos automaticamente, como somente a natureza nos propricia. Quem já viveu mais de 50 anos tem centenas de hábitos que automaticamente repete. Ninguém dá descarga sem antes olhar para as fezes.

HIPÓTESES

Todos somos generosos em formular hipóteses, que nada mais são que suposições fundadas em experiencia direta ou vicária -  mais vezes vicárias que diretas. Porém, não basta criá-las, há que trabalhar com as hipóteses rivais, que são aquelas contrárias,  igualmente possiveis e às vezes logicamente mais desejáveis.

HISTORIA

Repetindo um aforismo russo “qualquer historia pode ser uma outra historia completamente”. Nenhuma historia é inteiramente verdadeira, pois quem vê o evento hoje interpreta o que viu segundo o que já tinha visto.

HOMEM

Homo habilis, homo sapiens, homo cientista, homo tecnológico, homo artista, homo transformista, homo sem nada, homo com tudo. Nessa mescla estamos todos. Mas, o bom mesmo de ser homo é ter tesão para gerar milhares de homos com suas mulheres.

HONRA

Muita alegria é mortal e muito espírito nos faz mal; muito comer nos dá peso,
e muita honra é viver preso. Ater-se à honra é bobagem; viver com ela é lavagem, e matar por ela é chantagem.

INFINITO

Nunca me ative muito tempo a pensar no infinito. É outra especulação dos filósofos e teocratas das igrejas. Não é racional pensar no que não se sabe o que é. No máximo, não passa de um exercício cerebral para estimular suas células.

JULGAMENTO

Julgar é útil para aplicar leis a atos humanos. Julgamento é fundado em inferencias – materia prima dos juízes. Inferimos quando não sabemos completamente. A qualidade do  julgamento assim fundado é discutivel em qualquer evento.

JUSTIÇA

Etimologicamente é aplicação da lei. Muitas vezes a lei não precisa ser escrita e nem precisa de juiz para ser aplicada. Dependendo a justiça de um julgamento e sendo este de natureza inferencial, nenhuma justiça é inteiramente justa.

LEI

Na minha infancia quando ouvia falar de leis lembrava de policiais batendo ou simplesmente arrastando delinquentes. Não é preciso ter lido Montesquieu (O Espírito das Leis) para saber que as leis são bem mais abrangentes e podem ser bem mais constrangedoras de ações sociais justas.

LIBERDADE

Alguém tem liberdade quando pode usá-la para contrariar a si mesmo e a qualquer outro, sem censura de ninguém. Somente a liberdade que tira liberdade contraria os designios do Criador e ofende a cidadania.

LINGUAGEM

A linguagem escrita é preferível à linguagem oral. Verba volant, scripta manent (palavras faladas voam; palavras escritas permanecem). O homem nasce falando; é preciso desenvolver-se para poder escrever. Quem muito escreve pouco fala; quem muito fala pouco escreve. Pensa-se melhor escrevendo que falando.

LÓGICA

É o esteio do pensamento de mentes sãs, independentemente da cultura. Quando se fala ou se  escreve com lógica, o pensamento se hasteia no passado, descreve o presente, e antecipa o futuro. Quando se trata de preservar a vida animais também atuam com lógica.

MATEMÁTICA

Fundamento de todas as disciplinas científicas, as chamadas hard sciences. Uma ciencia em qualquer área está tanto mais desenvolvida quanto mais usa raciocinio matemático para expor os resultados de suas pesquisas e dissertações

jun

16

POBREZA É POSITIVO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Gostava mais da vida quando era mais pobre. Todavia, nunca fui pobre de terceiro grau.

Neste grau, o pobre tem faltas do essencial. Minha alegria de viver não aumentou quando saí da pobreza de segundo grau. Nada me aconteceu de melhor tendo mais dinheiro. Continuei não comprando o supérfluo e me focando no necessario. Tenho saudades do tempo em que minha esposa procurava o mais barato e comparava o preço de tudo.

Ser privado de dinheiro para comprar sem pensar é mais parcimonioso e dá mais prazer.  É intelectualmente estimulante rejeitar o produto mais caro que não dá mais do que você precisa e nada de fato acrescenta ao necessario. Viver apenas com o necessario nos leva a apreciar mais a vida.

Essas considerações do valor da pobreza relativa também se aplica ao país Brasil. Sem saudosismo meu, brasileiros pareciam mais felizes quando eram mais pobres. Havia menos corrupção, que é coisa de país insuficientemente rico. Nesse estagio, os cidadãos temem ficar pobres e sentem a necessidade de roubar sem punição. Esse sentimento é o  sobrenome da corrupção.

O lado psicológico é talvez o mais contundente. Quando se tem apenas o necessario, não nos preocupamos com o supérfluo e entramos num processo de subtração. O fato é que não conhecemos o limite de quão pouco precisamos.

Não se preocupar é o maior dos luxos. Não nos preocupamos, quando o que temos nos basta.

A pobreza, dizia Kaori Shoji em “Scent of Poverty… (Japan Times Online 20090610) amortece os sentidos. Estes amortecidos demandam menos de nós. Preocupar-se pouco é a fórmula simples para viver muito. Viver simples, sem adornos e barato é a forma de viver sem demandas insatisfeitas. Quando nada se tem, também não se tem nada com que se preocupar.

A pobreza é positivo, porque evoca em nós as desnecessidades. Querer o desnecessário é o que nos faz sentir pobres. É a essencia da estética do comer. Comer apenas o que nos mantém vivos e saudaveis  Arros, 50 g de carnes e vegetais. É claro que precisamos de mais proteína, de acordo com a vida ativa que temos.  Entretanto, o dinheiro que não temos não é preciso para a alegria de viver. Somente a fome deve ser evitada. Não por ser insuportavel,  mas por nos tornar improdutivos.

Os budistas aconselham a pobreza física, inclusive nas roupas. Estas quando luxuosas, dizem eles, encorajam  taída  (preguiça) e gõman (arrogancia) enfraquecendo corpo e espírito. Enaltecem a pobreza. Todavia,  a produtividade social de monges, padres e anacoretas é incompatível com a vida moderna. Não são modelos científicos ou mesmo  culturais. São propensos ao atraso que nega o prazer.

A pobreza é positiva quando dá prazer a quem a pratica. É uma das muitas formas de se ter prazer de viver. Talvez, a mais difícil quando se quer prazer de outra forma. O foco desta Trivia é não gostar da pobreza, porque se quer a riqueza. Daí ser ela positiva. Pois, viver bem com pouco é favorável ao Planeta e à convivencia social. A superabundancia o destrói mais rapidamente. Ou, talvez, nada o destrua, pois ele parece revolver e renascer a cada destruição perpetrada pelo homem.

Em seu artigo para o NY Times de setembro de 2007, Edward O. Wilson fala da Enciclopedia da Vida, algo que estimula os cientistas a contruirem para entendermos a evolução: “cada espécie, da bacteria a baleia é uma obra prima da evolução”. Edward se preocupa com as espécies que não teremos chance de conhecer, porque a destruição é veloz. “É crucial que nos movamos rapidamente enquanto ecosistemas e espécies estão desaparecendo, devido à destruição do habitat, poluição e superpopulação, caça e pesca excessivas”.

Talvez, a pobreza seja positiva nesse sentido. Atendo-nos ao necessario para viver poupamos o Planeta da tecnologia devastadora da flora, da fauna e dos microorganismos que ainda não surgiram. Mas, quem se preocupa com o global quando se lhe nega o prazer? Satisfazer-SE com o estritamente necessário para viver pode ser mais difícil que organizar a vida para salvar a alma.

jun

16

TEMPO DE REAÇÃO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Tudo que pode ser medido pode ser verificado, comparado, e pesquisado. É preciso mensurações físicas, ainda que sejam produzidas por disciplinas não-físicas. Tempo é uma medida física. O tempo de reação está associado com longevidade, que também é uma medida física. Com qual eficiencia pegamos uma garrafa que cai acidentalmente da mesa a que estamos assentados? Sendo reproduzível, tal eficiencia mediria o nosso tempo de reação. Quanto mais eficientemente captássemos a garrafa cadente mais qualidade teria nosso tempo de reação ao evento.

Tem sido medido que os tempos de reação de sujeitos acima de 50 anos estão associados com inteligencia e longevidade (lizamay@comcast.net). Neste caso, tempo de reação é melhor indicador de longevidade que inteligencia. Sabia-se que os mais inteligentes vivem mais longamente, porque se adaptam melhor aos seus contextos.  Porém, não se sabia que o tempo de reação era um indicador mais eficiente de longevidade. Agora, o estudo reportado por Liza parece indicar isso. É claro que depende de conhecimento, educação e vida pregressa, que resultam em mais rápido processamente de informação.

Teoricamente, se você está no topo de sua saúde física e mental, você precisa de um curto tempo de reação a um evento para ser eficiente, isto é, fazer o que tem que fazer com menor esforço, no menor tempo e no menor custo. Você não é eficiente quando não satisfaz a essas três condições.

Pegar uma garrafa caindo de sua mesa antes que ela toque o chão, preferivelmente sem derramar muito de seu conteúdo, indica que seu tempo de reação prevê longevidade. Tempo curtíssimo de reação é o melhor preditor de vida longa e de QI. Entretanto, não se trata apenas de uma garrafa cadente que é um teste-rigoroso critério, mas de tudo que você observa e requer uma ação.

O que importa é sua aptidão de perceber em pouco tempo o que deve fazer para modificar o evento em ação para sua vontade ou necessidade.

Longevidade é predizível, mas não é garantida. A vida longa depende de outros fatores não associdados aos atributos e habilidades pessoais. Ninguém morre num acidente ou numa guerra por que não soube viver.

jun

8

EXPERIÊNCIAS PARA MEUS FILHOS

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

O PAI AOS 32 ANOS

01. As competições nos cercam de todos os lados. A única alternativa é ser você a alternativa. Nenhum amigo é quando você precisa de uma custosa alternativa.02. É mais importante prolongar a juventude dos trinta que estender a maturidade dos sessenta. Se chegar aos oitenta, nem prolongue nem estenda. A pior doença é a velhice extrema.

03. É a saúde desprezada, não a idade cronológica que nos faz sentir velhos fora do tempo. Entre os 40 e 60 ignorava minha idade; não sentia quantos anos já tinha vivido.

04.  Não dêem muita importância às vitaminas. Com exceção da vitamina D, todas elas estão em seus alimentos normais. Mas, consumam alho, cebola e óleo de peixe para evitar câncer.

05. Quanto a beber evitem as destiladas. As fermentadas sempre foram as bebidas dos homens, antes que os árabes nos ensinassem a destilar. O vinho é a melhor bebida fermentada.

06. Vivam de tal forma que nunca se sintam rejeitados. A rejeição nos torna estúpidos. Dizem que reduz nosso QI. Fomos criados para viver juntos. A rejeição contraria os planos do Criador.

07. Nossa existência se funda em três componentes: o cognitivo nos faz entender o mundo em que vivemos; o motivacional nos leva aos nossos objetivos; e o afetivo nos faz gostar de viver.

jun

4

AUTO-ESTIMA AMEAÇADA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

REVENDO CONCEITOS.

Em definição simples, auto-estima é apenas uma opinião favorável que temos de nós mesmos. É autoconfiança. Mas, o conceito como vários que implicam exame de si mesmo (auto) é complexo. Está associado com muitos outros: egotismo, orgulho, egoísmo, auto-afirmação, pretensão, autoconfiança, autoconsciência, e vaidade.

Egotismo denota o desejo ou tendência de levar à atenção de outros o que somos, o que pensamos, e o que fazemos.  Por outro lado, o egoísmo implica preocupação exagerada com nós mesmos, com nossas necessidades. O egoísta não tem qualidades altruístas, está interessado principalmente em si mesmo e com as pessoas que o afetam. Orgulho é uma excessiva e não bem estabelecida satisfação consigo mesmo; envolve pretensão. Tem quase sempre uma implicação ofensiva e até ridícula. Desperta ressentimento em outros. Pelo lado bom desse tipo de auto-estima existe a autoconfiança, que surge em nossa consciência de retidão e de poder igual às demandas.

Quando exibimos autoconsciência, guardamos nossos pensamentos para nós mesmos, mas com uma constante e ansiosa preocupação sobre o que outros pensam de nós. Em parte, autoconsciência se parece com vaidade, uma grande admiração por nós mesmos, acompanhada de um grande desejo pela admiração de outros. Autoconsciência é quase sempre um pouco dolorosa;  porém, vaidade é sempre uma fonte de satisfação, exceto quando não consegue receber o que pensa que merece.

Coroando esses conceitos está a alta auto-estima, associada com auto-afirmação, pelo lado construtivo, e a baixa auto-estima, às vezes associada com depressão e outras demonstrações de fraqueza, pelo lado destrutivo. Deles trata esta Trivia de setembro. Motivado pela busca de explicações para as ações terroristas que abalaram o mundo e pelo estado psicopático geral do brasileiro, antes e após o terror, os significados e implicações de alta e baixa estimas precisam ser revistos.

A AUTO-ESTIMA COMO FONTE DE RESSENTIMENTOS.

Muito pesquisada por cientistas sociais do porte de A Bandura,  E. A Locke e P. Bobko, auto-eficácia pode ser definida como um sentimento de auto-competência que alguém tem e manifesta ter no organizar e executar certos tipos de desempenho e cursos de ação. A pessoa auto-eficaz é persistente na busca de soluções, de níveis mais altos de conquistas cognitivas e de interesse intrínseco nas atividades de que anteriormente não gostava. É um notório exemplo de alta auto-estima, no sentido funcional.Mas, neste caso, como em particulares outros, a alta auto-estima pode ser ofensiva às colegas que não exibem tanta habilidade, mas acreditam tê-las. Além disso, a pessoa auto-eficaz é competitiva, envolvida no trabalho, e engajada numa luta contínua de conseguir mais e mais em menos e menos tempo. Além das naturais arestas que tais comportamentos desenvolvem no contexto da pessoa auto-eficaz, ela tende a exercer controle pessoal sobre os resultados de suas ações e a dominar o contexto.

Esses e outros atributos da pessoa auto-eficaz são facilmente transferíveis a grupos sociais, empresas e a nações. O businessman americano típico é auto-eficaz; grandes empresas são auto-eficazes; o establishment americano e de outros países ricos é auto-eficaz.  A auto-estima dessas entidades é às vezes excessivamente alta. Seus comportamentos lhes dão crescentes sucessos, mas geram crescentes ressentimentos.

A AUTO-ESTIMA COMO FONTE DE CONFLITOS

Também a baixa auto-estima promove conseqüências indesejáveis. Pessoas com baixa auto-estima costumam  ter uma visão negativa de si mesmas; preocupam-se muito com elas mesmas, mas de uma forma confusa e desorganizada; às vezes têm algum sucesso, porém muito mais por causa de perseverança que por habilidade ou eficiência. Fogem de situações competitivas e jamais demonstram necessidade de serem superiores. Tendem a evitar riscos e sofrem com a possibilidade de fracassarem.

No lar e nos agrupamentos sociais, as pessoas de baixa estima tendem a conflitar com pessoas de alta e estável auto-estima. Na família, marido e mulher discutem por qualquer motivo; um tentando convencer o outro. Quando é o marido a pessoa com baixa auto-estima, ele quer resolver os conflitos com autoridade. Mas, quando é a mulher que tem baixa auto-estima, ela costuma ignorar ou aceitar o conflito, como se este fizesse parte do processo de viver junto. Afinal, ela não quer correr riscos.

Em qualquer milieu sociale a pessoa com baixa auto-estima pode ser muito criticada pela sua visão negativa e de pessimismo com praticamente tudo. Em geral, elas mesmas são muito críticas, reclamantes e propensas a fazerem dilemas de qualquer situação complexa. A conseqüência é muita discussão e autodefesa. Torna-se uma pessoa que todo mundo evita, quando a situação é de aliança, cooperação e esforço, sem garantias de sucesso. Muitas delas são estressadas, inclinadas à ansiedade e a outras disfunções psicofisiológicas.

Entretanto, ao contrário do que se infere de algumas teorias, a pessoa com baixa auto-estima não é necessariamente agressiva. Por que baixa e alta auto-estima não são contrários, mas opostos num continuum estatístico, qualquer um pode tornar-se agressivo, quando acima ou abaixo da mediana desse continuum.  Depende do comportamento que escolhemos ou somos levados a ter em certas situações, pois comportamentos são controlados não só internamente. Como dizia Bandura (1986) pessoa, contexto e comportamento se influenciam continuamente.

Conflitos emergem como resultados de ações comportamentais consistentes. Quando em interface, pessoas de baixa auto-estima tendem a preferir o status quo (temem perder a tranqüilidade e fracassarem) e as de alta auto-estima (em geral proativas) querem mudar o contexto. Elas tomam a iniciativa e prosseguem até que as mudanças aconteçam. Quando encontram problemas difíceis são capazes de se tornarem ofensivas para atingirem seus objetivos. Aí sim, são conflitantes com quem quer que seja. Por outro lado, a instabilidade emocional apanágio das pessoas com baixa auto-estima aumenta-lhes a sensibilidade e as torna antagônicas às mudanças.

A AUTO-ESTIMA COMO FONTE DE VIOLÊNCIA.

O que já se sabe é que pessoas ou grupos com alta auto-estima, quando ofendidos em seu orgulho se tornam violentos. De fato, de acordo com o nível de indignação, a violência é uma resposta natural, independentemente de ser alta a auto-estima. Basta que o egotismo delas seja ameaçado. Vimos isso no caso do ataque à América. Os americanos, sabemos, têm a auto-estima bem estabelecida e o orgulho bem fundamentado. Portanto, não esperemos uma vingança de curto fôlego e precipitada. Tenho observado que vinganças motivadas pelo orgulho ferido, pela traição, e pela ofensa à dignidade, de pessoas racionais, podem esperar. E, quanto mais adiadas, mais satisfação dão a elas. Parecem, depois, mais inteligentes e mais aceitáveis.

Por outro lado, a baixa auto-estima gerada pela humilhação explode também violentamente. Há pessoas e sociedades que já tiveram alta estima de si mesmos, muito antes de serem forçadas a incorporar uma personalidade de baixa estima, para sobreviverem. Passaram por grandes transições na vida e não se esquecem de pessoas e sociedades que as humilharam indefensavelmente. Tornam-se tanto mais hostis quanto mais se sentem  penalizados pela “imposta” baixa auto-estima. Com o tempo a baixa auto-estima se torna estável. Porém, ninguém que já a teve alta se acostuma com a baixa. Tem-se verificado que homens as têm mais alta que as mulheres.

Acredita-se que o criminoso ao matar considera-se superior à sua vítima. Daí uma certa frieza nele, no processo de eliminação. Esse sentimento de superioridade está bem expresso por Hitler nas violências que praticou. Ninguém saberia imaginar baixa auto-estima num Hussein, num Khomeini, Mussolini, Stalin e monarcas africanos. Para eles, assim como para pessoas igualmente altas em auto-estima, os insultos e as bofetadas, mesmo de origem desconhecida, têm respostas tangíveis, ainda que temporariamente arquivadas. Bons exemplos coletivos são as guerras promovidas pelas nações fortes, porque sentem que não estão recebendo o respeito que merecem.

Vale lembrar que os países da antiga Mesopotâmia, e neste contexto, o Islamismo, foram povos muito avançados, comparativamente com outros na mesma época. Hoje, exceto alguns povos africanos, são os mais rebaixados em auto-estima. Querem recobrar a alta estima de si mesmos, que já tiveram. Não aceitam mais a sua auto-estima ameaçada. A violência impessoal é, talvez, a única forma de recobrá-la, ainda que seja apenas por dignidade religiosa. Sendo proibidos pelo Alcorão de tomar álcool, consomem papoulas para incentivar opiniões favoráveis de si mesmos. Sob os efeitos da droga, sentem-se superiores, atribuindo ou não a superioridade ao Islam. Pois, quem se sente superior aos outros, especiais e elite, não precisa de motivos para punir quem os desrespeita. A história daqui e de lá que o diga!

A AUTO-ESTIMA COMO FONTE DE DIGNIDADE NACIONAL.

Nossa dignidade como Nação está há muito ameaçada pelas nações poderosas, pelo menos oito, encabeçadas pelos Estados Unidos. Já nos foi imposta toda possível humilhação econômica, que temos suportado bravamente. Também estamos acomodados à baixa auto-estima, que o bom senso nos têm feito aceitar para talvez crescer, segundo as promessas delas e sob a bandeira da desejável democracia, e mais recentemente, o que tem parecido desejável globalização. O brasileiro que ainda tem alta auto-estima a vê ameaçada, mas nada pode fazer, porque a baixa auto-estima é aceita pelo próprio governo. Este, diante das decisões das oito grandes, perdeu já qualquer egotismo que tinha, ou que jamais teve,  patrioticamente falando.

Certamente, como Nação, já não temos o narcisismo que nos insufla o Hino Nacional. Mas, ainda assim, o cantamos com muito orgulho. É da baixa auto-estima adequar-se à situação, quando esta parece não ter remédio. É claro, não mais desejamos possível ser invejados por outras nações. Talvez, seja por isso que os meninos e meninas das nossas escolas já quase não cantam os hinos Nacional e da Bandeira. Os diretores não querem ser cognitivamente dissonantes. As palavras deles são um grito de justo narcisismo patriótico. Narcisismo não admite incongruência.

Não somos propensos à agressão aos promotores de nossa humilhação e parece que já não temos alta opinião de nós mesmos, enquanto membros da maior economia dos humilhados. Neste ano, o México tirou-nos  esta fonte de orgulho tradicional. Mas, em estado de baixa auto-estima ninguém agride ninguém, a não ser quando os motivos são transcendentais, e nós não o temos. Algumas nações que ainda os têm são como o lobo da fábula de Esopo: preferem ficar  magras e famintas perambulando pelas florestas sem caça, que gordos e luzidios com a marca da coleira no pescoço. A alta auto-estima do lobo foi mais forte que a fome. É claro que Esopo ensinava essas coisas há 2.500 anos. Hoje somos modernos e sensatos, adotando a baixa auto-estima como um modus vivendi. Porém, a China tem sido há várias décadas um lobo que não aceitou a coleira. E acabou dando certo como intrépida caçadora, hoje bastante nutrida.

A AUTO-ESTIMA COMO FONTE DE AFIRMAÇÃO PESSOAL.

Porém, é complicado nos alimentarmos com alta auto-estima, quando não a merecemos. Hoje, tenho observado que nos colégios, nas escolas e principalmente nas universidades, maus e bons alunos ganham diplomas de competência para prosseguirem seus estudos. A alta estima insuflada pelas instituições e pelos pais redunda em baixa auto-estima percebida. A realidade logo desmente as instituições premiadoras. Auto-estima depende de conquistas que somente as pessoas que as conseguem valorizam. Ela nunca é falsa. As frustrações indeléveis de muitos jovens se fundam nessa alta auto-estima mandada. Suas conseqüências sociais já conhecemos!Conquistas artificiais não contribuem para a afirmação pessoal. Pessoas depressivas que o digam. Elogios e recompensas devem estar conectados com desempenho. Quando não, as pessoas enchem seus balões de auto-amor, e se tornam abespinhados e venenosos, quando alguém se lhes os fura com uma agulha qualquer. Pois, a alta estima é um comportamento mais duradouro que a baixa estima de si mesmo. Quando mandada institucionalmente na escola ou na família, a auto-estima é uma mentira a que a pessoa se habitua, como com uma máscara que lhe cola à cara.Portanto, a afirmação pessoal não pode ser doada. Nenhuma nação se enriquece endividada nem uma pessoa fica melhor com diplomas e títulos sem correspondente realismo. Estaremos sempre com a auto-estima ameaçada, quando a baixa não nos agrada e alta não nos cabe.