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out

30

FRACASSO É MESTRE

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Prof. Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

 

FRACASSO É MESTRE

Trivia Philosophica

 

                                                

O fracasso que devemos experimentar não deve ser de pequeno impacto. Tem que ser grande bastante para nos levar a querer enfrentá-lo outra vez para provar que somos capazes.

O fracasso que absorvemos e em pouco tempo esquecemos quase nada nos ensina. O fracasso útil é o que nos perturba indefinidamente. Atormenta-nos até que decidamos fazer alguma coisa. Às vezes, somente nós mesmos sabemos dele. Ninguém espera nenhuma mudança em nós, depois que o sofremos. É o tipo de fracasso mais fácil de esquecer e que mais fracos nos torna, se secretamente decidimos enfrentar o processo outra vez até sairmos vitoriosos.

 

A repetição do fracasso pode não ser nenhuma confirmação de que somos um fracasso. Nosso talento às vezes permanece oculto até a velhice, porque não tivemos força ou não foi conveniente variar. Quando não conseguimos variar, eu presumo, temos menor chance de revelar nosso verdadeiro talento. Repetir o processo do primeiro fracasso costuma ser uma aprendizagem, mas nossa meta real é criar um novo processo que corrija o primeiro, que nos levou ao fracasso. O que não fizemos antes que podemos fazer agora?   

 

Há fracassos de várias dimensões: pequenas, medias, grandes, maiores e menores, mas somente aqueles que nos fazem mudar para melhor contam. Não ter passado em inglês na segunda serie ginasial me levou a ter feito dezenas de exames em inglês com sucesso nos Estados Unidos; ter produzido duas teses em inglês e recentemente uma gramática de inglês. Não ter passado num exame final de estatística no programa de Ph.D. me levou a produzir um livro de estatística em meu pós-doutorado; e não ter tido sucesso como escritor me levou a produzir e publicar dezoito livros, sendo apenas um realmente nacional. Ainda amargo esse fracasso de escritor.

 

Todavia, à guisa de defesa, devo ressaltar que o sucesso editorial raramente vem do mundo acadêmico, aqui, nos USA e em outros países desenvolvidos. Best sellers são produzidos pelo comércio.

 

out

29

MARANGATÚ

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Não acentuamos as oxítonas terminadas em U, precedidas de consoante. Mas, esta é uma palavra guarani. Trabalhei como assessor de RH numa indústria beneficiadora de soja que tinha esse nome no Paraguai.

 

Quem beneficia a outros é marangatú, seja pessoa, empresa, ou instituição. Não se trata de altruísmo. Mas, da vontade de fazer envolvendo outros. Quem faz e quem participa são recompensados.

 

Não é preciso ser santo. É preciso apenas fazer fazer, visando o benefício de outros mais que o seu. Nada de ser calculista. Nós constantemente respondemos a coisas que o cérebro consciente ainda não registrou.

 

Obama, por exemplo, tem em novembro uma ótima oportunidade para ser marangatú. Ele terá primeiro que derrotar seus oponentes e, depois, contratar os melhores para seu novo governo. Freqüentemente temos que fazer isso em nossa vida para sermos marangatú. Afinal, é preciso primeiro ser justo para depois ser bom e colher os abundantes frutos.

 

Descobri que para ser justo e bom é necessário ser orgulhoso, mas não a ponto de ser acima de outros, e acima da necessidade de ser agradado. A pessoa humilde não impacta quando é boa, e nada parece acrescentar quando é justa.

 

A pessoa marangatú efetiva é competente e eficiente, pomposa e discriminadora. Não vencemos numa olimpíada com humildade em nossas qualidades. Temos que primeiro vencer os oponentes e depois sermos amáveis com eles.

 

O orgulho que beneficia a muitos é melhor que a humildade que nada pode fazer.

out

29

IMAITÉGUARÉ

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Nossos ancestrais índios qualificavam como imaitéguaré a pessoa que qualificamos como idosa. O sufixo oso (osa) sugere ter “muito de” ou “carregado de”. Caridoso (tem muita caridade); invejoso (tem muita inveja); furiosa (tem muita fúria); fervorosa (tem muito fervor) e, portanto, idoso (a) tem muita idade, assim como arenosa tem muita areia.

De repente descubro nos supermercados que as pessoas que aparentam ter 60 ou mais anos são idosas. Têm preferência nas filas para comprar e pagar. Nada demais, uma vez que as classificações adjetivas são livremente feitas. Elas dependem de percepção, que é inferior a intuição em vagueza conceptual. Quem pouco sabe, percebe; quem sabe mais um pouco, intui. Ambos acham, e quem acha, não sabe. Quem sabe, não acha, já sabe. Mesmo o saber nunca é completo.

Idade é um desses conceitos que se pode contar e também medir. Quando se sabe pouco, se conta; quando se sabe mais se mede. Não devemos apenas contar o que sabemos também medir. Dinheiro se conta, idade se mede. Pois, o que para saber só pode ser medido, não se sabe apenas contando. Por que corre mais uma lebre de um ano que um burro de sessenta? Por que ao burro não interessa correr. A idade é assim, quanto mais idosos menos nos interessam ao que interessam aos jovens. Afinal, fazemos ou deixamos de fazer o que interessa a nós e não aos outros. De onde surge esse interesse aparentemente contraditório? O mundo é muito amplo e o foco dos jovens é muito estreito. Particularmente, considero qualquer jovem cognitivamente inferior. O superior é o que mais tem conhecimento da vida e do Planeta. O fato de estar o idoso mais próximo da morte é uma desejável hipótese dos jovens. Pensam que a vida será melhor no futuro, e ninguém sabe dele. A vida está melhor em cada momento em que ela está melhor. Ser idoso ou jovem nada altera no que virá no futuro. Somente as doenças repentinas e os acidentes alteram esse raciocínio. Morrer jovem é muito mais inconveniente que morrer idoso. Quem morre jovem não chegou a ser idoso (a meta de todos jovens normais); quem morre idoso está no seu capital, pois não existe melhor destino ao idoso que morrer. O mais importante nada vida é ser forte. Pois, o idoso forte é jovem; e o jovem fraco é idoso.

out

28

EXPLOSIVAS, IMPLOSIVAS

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

 

Convivo com pessoas nessas duas categorias em ambos os sexos. As explosivas me perturbam e as implosivas me amedrontam. As primeiras (explosivas) me dizem o que desejam e o que não desejam dizer de forma indesejável. Geralmente quando exsplodem falam gritando. As segundas (implosivas) nada me dizem quando ouvem o que não gostam, e pretendem que eu pense no que estão pensando. Ambas são desagradáveis. As primeiras por que gritam o que querem, e as segundas por que ocultam o que não querem dizer. As primeiras me levam à irritação, e as segundas a uma incômoda perplexidade. Ambas causam estresse, cada uma a seu modo.

De uma forma ou de outra quase ninguém vive sem as duas em seu dia-a-dia. E quanto a você?

Se você não for implosivo, você é explosivo em situações apoquentadas ou em conflito pessoal. Quem vive com você sabe disso. É claro, existe o explosivo moderado e também o implosivo moderado. Este costuma ser tático. É o mais temível dos dois tipos humanos que podem acontecer em nossa vida e termos de convivência. Assimila nossas expressões desagradáveis e nos transmite a impressão de que pode explodir a qualquer momento, quando então vira a mesa, larga tudo e se vai para sempre. Quando dependemos de tais pessoas estamos sempre inseguros. Nunca sabemos controlar nossas reações.

Reagir às pessoas explosivas em geral significa aumentar a explosão; se não reagimos às pessoas implosivas, aumentamos nosso estresse.

As pessoas explosivas nos aturdem, mas costumam ser sinceras. As pessoas implosivas não nos agridem, mas nunca sabemos o que vão fazer com as informações que acumularam no silencioso cérebro em efervecencia.  

Qual delas é preferível para nosso equilíbrio? As personalidades implosivas são mais tolerantes. Têm mais tempo para pensar, porém guardam mais rancor. E todo rancor é interno. É como nódoa, que às vezes nunca sai. As explosivas ofendem estridentemente, mas esquecem quando já desabafaram. Mesmo sem estarem compensadas, são capazes de amar a pessoa ofendida. As explosivas frequentemente esquecem e pouco se preocupam se precisam perdoar. As implosivas raramente esquecem e relutam em perdoar. As explosivas também esquecem e nunca precisam perdoar.

Mas, do esquecimento ninguém se lembra e do perdão, ninguém se importa.

out

26

INTENSIDADE É PODER

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

 

Tenho observado que sem a necessária intensidade no caminhar não se consegue fazer a curva que nos coloca num novo caminho. Precisamos de intensidade em tudo que acreditamos definitivamente para que a mudança desejada aconteça naturalmente, como se ela estivesse esperando que atingíssemos o ponto certo do intenso.

Bruce Lee foi meu modelo de intensidade na década de 70. O filme dele que mais me impressionou nesse particular é um em que ele aparece fazendo exercícios. É claro jamais tive a capacidade de imitá-lo no esforço para ser o que foi. Mas, carreguei comigo alguns lampejos da sua intensidade em tudo que fazia quando crescia.

Parafraseando Dr. Tao (o mais jovem Fields Medal de Matemática) “a gente acaba se tornando intenso, sendo intenso em tudo que busca”.

Aprendi que a racionalização nos momentos e situações difíceis é a morte da intensidade. Somos frouxos quando deixamos a intensidade para usar a sabedoria da sobrevivência, do esforço a meio-mastro, seguindo os sábios chineses dos séculos AC, para quem sobreviver era muito. Sobreviver apenas, na verdade, é muito pouco.

Condeno o caldeirão de sopa do bom-senso que se derrama nos piegas conselhos transitados pela internet, tentando fazer que muitos sejam passivos moderados da áurea mediocritas. O homem medíocre não é realmente intenso em quase nada. Mais facilmente se torna sábio, preparando a carne fofa da aposentadoria que intenso. Quer mais o subjective well-being  que surpreender com a ultrapassagem.

As mentes intensas não caem num poço agarrando em todas as saliências dele. Vão até o fundo para não voltar, e se voltam, é para não mais caírem. Não são sábios, são intensos realizadores do que ainda não foi realizado.

O frouxo não sabe a diferença entre uma razão e uma desculpa. O intenso não se desculpa quando erra nem se elogia quando acerta – está fazendo sempre o que sabe fazer melhor. O frouxo busca padrões para não errar, e quanto mais busca mais os encontra e mais sábio fica. Vida sem intensidade é eternidade em pedaços. Pouco constrói e muito dura. Porém, durar não é mérito. Revolucionar é que é.

out

25

EXTRAORDINARIO OBAMA

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Há dois anos acompanho a carreira política do senador Obama, admirando sua faiscante memória, impulsividade controlada, audácia, e fluência associativa. Mais que essas qualidades que outros destaques mentais têm, o que mais obumbra as personalidades insuficientemente desenvolvidas é a transparência de sua vida pública e seu equilíbrio emocional diante das muitas ofensas recebidas dos adversários políticos. Sua habilidade para questionar é ímpar e a facilidade para elaborar respostas a perguntas maliciosas não tem igual na minha memória. Vi e ouvi os tres debates; li e avaliei dezenas de artigos em jornais americanos, russos, indianos, brasileiros, latinos, franceses e ingleses que o tinham como foco.

Ainda estamos no estágio das sequencias até as eleições de 4 de novembro. Mas, as consequencias dos esforços e do carisma do extraordinario político Obama já parecem delineadas. Seu poder de organizar sucessos eleitorais não pode mais ser questionado. Sua energia física mais parece a de um Apolo negro. Sua prudencia parece a de um septuagenario vigoroso. Deve te-la aprendido com seu semelhante político indiano Dr. Manmohan Singh, cujo intrigante conselho é: olhe antes que você não pule.

Outro foco moral que revela Obama um político extraordinário é a honestidade - quase em seu estado cru. Seus adversarios de campanhas revolveram todos arquivos e pastas do passado distante para descobrir um deslize que não tivesse explicações públicas. Parece até que ele havia antecipado tal varredura, antes de ser senador. Revelou-se assim um incrível político sem jaça em si ou na familia.

Hoje, a nove dias das eleições, seus adversarios estão buscando oposições já derrotadas e posições que não há mais, fortes bastante para mudar o quadro da derrota que já havia se configurado em fins de setembro. Hoje, vivem o pânico dos adversários que antecipam a derrota, sentindo-se recompensados por haver lutado. Eles, como nós, jamais acreditavam na emergência de um Presidente americano negro, numa época borbulhante de racismo e disturbios sociais na mais poderosa nação do Planeta.

out

14

OPORTUNIDADE

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Ao homem forte e mentalmente desenvolvido nada mais interessa que oportunidade. Ele tudo pode com ela. Sem ela ele é fraco e o desenvolvimento se encolhe. O maior mal que alguém possa fazer a seu inimigo é cercear-lhe direta ou indiretamente toda oportunidade de êxito. Etimologicamente, o vocábulo quer dizer “ventos favoráveis”. Nada se quer mais que tais ventos para chegar ao porto (oportu) que é a meta de quem viaja. Somos viajantes e a oportunidade é a nossa vela ao vento. Ninguém chega ao porto ou se é oportuNO, sem ela. No amor ou nos negócios, a oportunidade é a deusa das realizações. Somos capazes de criar oportunidades, mas as oportunidades de que mais precisamos são presentes dos céus. Elas nos chegam quando menos esperamos, e se merecemos,  estamos sempre atentos o bastante para reconhecê-las, da mesma forma que  percebemos ventos favoráveis, quando estes sopram nos levando ao porto.

out

14

QUITE

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Diz-se que alguém está quite com outro, quando nada lhe deve, saldou suas contas e débitos com ele. Tácito (meu filósofo predileto) dizia que favores são agradáveis enquanto os podemos pagar. E o atilado Cícero nos diz que não pode ser nosso amigo quem não se julgue quite conosco. Tem sido minha sina mais dar que receber. Isto por que, sob normas de racionalidade, ninguém dá sem esperar reciprocidade de alguma forma. Quando ganhamos um presente e pensamos que agradamos a quem nô-lo dá, mais que a nós mesmos, não deveríamos recebê-lo. Pois, todos que nos dão algo se consideram credores. Dou meus livros a muitos bem conhecidos; a maioria não reciproca nem com um telefonema. Seriam livros grátis indesejáveis ou pensam os presenteados que fazem favor em recebê-los? Qual presente pode ser mais interativo que aquele que revela o autor que o dá, tentando enriquecer a mente de quem o recebe? Neste caso, estar quite pode ser apenas dar um eco ao gesto.

out

14

EXPERIÊNCIA DE PRIMEIRA MÃO

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Um sério problema com nosso ensino de pós-graduação é que professores e alunos têm pouca ou nenhuma experiência de primeira mão com a matéria curricular. Sem tal experiência, professores ensinam sem realismo e alunos quase nada aprendem. O real não tem alternativa e a ignorância nada cobra. É como o mofo, cresce sem nenhuma ajuda. Se o realismo corrente fosse o maior interesse do ensino, a pesquisa em cada disciplina seria a substância de tudo que é ensinado. Não sendo hasteado em resultados de pesquisa, o ensino de pós-graduação se torna meramente conceitual com teorias incompletas e mal assimiladas. Sem pesquisas feitas pessoalmente pelos alunos, o ensino é ineficiente, fundado em aulas expositivas, discussão e estudo independente. Longe da experiência de contato com a realidade, a aprendizagem se torna um compromisso de preguiçosos. O ensino se torna um ato burocrático e a educação pós-graduada floresce misteriosamente.

out

14

ALEXIENSIS

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Sentimento de Felicidade •Felicidade nasce cá dentro; infelicidade nasce lá fora. Somente nós somos responsáveis pela nossa própria felicidade. Alguém pode fazer-nos infelizes, mas somente nós mesmos conseguimos ser felizes.•Ignorância e Aprendizagem •Ignorância é inversamente cumulativa. Quanto mais ignorante se é, menos memória se tem do que já se sabe e mais dificuldade se tem para aprender coisas novas. • •Exercícios Físicos •A continuidade de exercícios físicos é o segredo dos seus benefícios. Ela requer força física e determinação diárias. Os terapeutas fisiológicos teriam que ensinar isso antes de qualquer outra ginástica. É preciso  fazer exercícios para continuar fazendo exercícios. • •Habilidade de Amar •Amar não é um ato voluntário, mas é uma habilidade adquirida. A habilidade de amar é a grande recompensa de sermos inteligentes. Mas, como toda habilidade para qualquer ato, precisa ser praticada e desenvolvida para de fato ser possuída.