Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.
A morte descontinua o trabalho cerebral de quem ela leva. Torna impossível saber o quanto e em que qualidade o cérebro desenvolvido produziria se continuasse vivo. Considerando que a genética não morre com o indivíduo, e que não sabemos dos ínvios caminhos de sua propagação, penso que cérebros vivos e evoluídos são capazes de dar continuidade ao trabalho dos cérebros que já não podem continuar. Na prática dos espíritas, os livros psicografados prenunciam essa possibilidade, se bem que focada no além e não chega a ser uma continuidade, mas um retrospecto. Outras continuidades são praticadas nas famílias. Entretanto, são mais materiais ou emocionais que cerebrais. Também penso que as continuidades cerebrais não precisam ser de grandes produções intelectuais. Podem ser de pensamentos e atitudes que marcaram a vida do cérebro evanescido extemporaneamente. O que importa é fazer rebentar de novo a plântula mutilada. Tenho feito esse trabalho de continuidade com a Trivia Philosophica. Atenho-me aos filósofos, mas pode ser feito em qualquer área do conhecimento acumulado. Pois, a continuidade faz soltar as asas do cérebro que foi cortado cerce. Independentemente da idade todo trabalho cerebral é interrompido extempore pela morte. Quando fizer minha última entrevista com ela vou reclamar desse desperdício do trabalho do Criador.