Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.
Há algum tempo dedico-me à pesquisa informal de saber o que pessoas aposentadas fazem no lazer. Tenho verificado em minhas anotações que a maioria (+de 66%) não sabe o que fazer durante o longo tempo diario em que não trabalha ou se preocupa com ganhar. Faz o que calha no momento e principalmente nada faz. Nada fazer não é lazer. Lazer é uma atividade diferente do que se faz habitualmente com um propósito. Absolutamente, não é inercia. É uma atividade física ou mental que diverte ou distrai. Distrai do quê? Da outra atividade que é necessaria, tal como trabalhar para ganhar dinheiro. Esse é conceito atual do lazer. Mas, há um outro lazer. O lazer verdadeiro nos tem que fazer felizes, como o trabalho às vezes faz. Ele tem que identificar nossa outra personalidade tanto quanto a profissão nos identifica na sociedade. “Diz-me o que faz no lazer e direi quem és” poderá ser o moto comum no futuro próximo, quando o lazer de certa forma for mais importante que o trabalho. Pessoas desenvolvidas nas sociedades medievais trabalhavam muito pouco. Os escravos faziam o trabalho que garantia a alimentação e outras necessidades pessoais dos senhores. Estes se dedicavam a aumentar a riqueza através de negociação com os pares; aos problemas do Estado; e à contemplação das questões éticas e morais, inclusive à filosofia e literatura. O uso produtivo do lazer pode nos levar acima das limitações ordinarias que o trabalho capitalista nos impõe. É o que tenho experimentado nestes últimos tres anos de lazer produtivo. É o que experimentei recentemente em João Pessoa. A mente pouco cria, apenas redunda o que já existe, quando empregado nosso tempo para garantir a satisfação de pouco mais que necessidades fisiológicas. O futuro precisará mais de pensadores que de trabalhadores. Os robôs, cada vez mais especializados, farão os trabalhos hoje feitos por operários, engenheiros e técnicos. Então, pessoas desenvolvidas - mais de 60% - serão pensadores, artistas e escritores, sem quase nenhuma necessidade pessoal. Tudo lhe será provido para avançar a ciência e as artes.