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UNIVERSIDADES EMPÍRICAS

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Não há como não se aborrecer escrevendo sobre o progresso de nossas universidades das últimas três décadas. Diz-se que uma universidade é empírica quando seus fundadores e diretores desconsideram as teorias em que se fundaram as melhores. Atêm-se às experiencias pessoais, quase sensorias para julgar seus progressos; focam-se em quantitativos, principalmente. O quantitativo de alunos conduz o quantitativo de investimentos para ter mais alunos. Naturalmente, quanto mais alunos mais ganho. Esta parece ser a única meta que disputam as universidades particulares. As públicas também buscam ganho no número de matrículas e outros expedientes. O mercado educacional está cada vez mais expansivo para ambas. Com tais comezinhos objetivos, onde nossa educação chamada superior vai encontrar esperança de melhora e medo de piora? A incessante busca de dinheiro estagna a mente e com ela a educação. Sendo o objetivo de nossas instituições de ensino de terceiro grau a continua expansão de cursos, de filiais e de ganhos é desejável que elas usem os mesmos instrumentos gerenciais das empresas modernas para atingirem os mesmos fins. Que saiam da penumbra dos negócios sem visar lucro para o “education is big business” pagando impostos e oferecendo qualidade. Uma forma de levar a sério seus propalados intentos educacionais é experimentar algumas das melhores práticas de gerencia nas empresas, que ganham muito, globalizam-se e continuamente melhoram seus processos e seus produtos. As quatro seguintes são as mais usadas pelas 500 empresas - top da Revista Fortune: Planejamento Estratégico, pelo qual se desenvolve um programa abrangente, posicionando os negócios para terem sucesso a longo prazo; Declaração da missão e da visão, pela qual se descreve o que a empresa se tornará e como chegará lá; Benchmarking, usado para comparar as atividades da empresa com as correspondentes das melhores do ramo; e Mensuração de satisfação do cliente, focando na identificação completa e na busca de solução das necessidades de cada cliente. Quantas de nossas universidades estão praticando esses quatro guias do sucesso? Não vemos planos estratégicos senão intuitivas aplicações de táticas para resultados imediatos próprias do empiricismo. As missões e visões são difusas nas cabeças de proprietarios e reitores. Professores não praticam benchmarking quando visitam outras instituições; apenas dão cursos e palestras sem nenhum observãção sistemática. A satisfação do aluno não é medida, por medo de se revelar o que já se sabe e se não quer saber. Aluno não é considerado um cliente. Satisfazê-lo não é meta e ensinar é apenas um rito.