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MAIS VELOZ MAIS ATROZ

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

 

Prof. Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

 MAIS VELOZ MAIS ATROZ

20 de novembro de 2008

 

Desejavelmente, 89% dos brasileiros adultos sabem ler, mas pouco ou nada lêem. Dizem que 74% são analfabetos funcionais, i.e. são alfabetizados, mas não funcionam plenamente na sociedade em que vivem. Encontram dificuldades na utilização de serviços e produtos que envolvem ler e aprender novidades. Enfim, os analfabetos funcionais pouco contribuem para o avanço da sociedade em que amadureceram. Quando mudam para cidades desenvolvidas ficam mais perdidos ainda. Como dizem os mineiros, saem da roça, mas a roça não sai deles.

 

Ninguém sabe o número dos disfuncionais medianamente desenvolvidos em qualquer estado ou município, comércio,  industrias ou instituições. Adaptam-se a todos os setores, inclusive se aboletam em altos cargos. A única medida concreta de seu grande volume é o atraso social que todos amargamos. Não produzem senão repetitivamente, como robôs ou maquinas. Alguns mais atilados saem da mediocridade minus para mediocridade plus. O medíocre veloz é mais atroz.

 

A velocidade e abundancia de informações e abstrações providas pela mídia sob todas as suas formas, inclusive a internet, afetam negativamente também a pequena parcela do nosso povo desenvolvido (11%?). Atualmente, estamos sofrendo das doenças de crianças abúlicas (déficit de atenção) e de maduros inconsequentes: atenção difusa e memória disfuncional. A disfunção na escola, no emprego e na sociedade é a mais notável desses desvios comportamentais. Muitos vivem caoticamente. Cada vez mais se lembra menos das seqüências e conseqüências do que faz. Parece natural porque muitos estão assim, mas não é. A baixa funcionalidade faz-nos inferiores a outros perfeitamente funcionais e nos causa estresse.

 

Suponho que temos  imaginação e aprendizagem empobrecidas, quando não lemos raciocinando pelo menos 3 mil palavras por dia (cerca de dez páginas de um livro) de conteúdo que acrescenta ao que já sabemos. E disso pouco as duas telinhas (TV e Internet) pouco oferecem, mesmo para os medíocres minus. Elas inibem a busca de leitura, porque nos induzem a pensar que o necessário ao uso do cérebro já estamos tendo. Elas mais ainda inibem o escrever. Internautas medíocres-plus se comprazem em reenviar pps para nada escrever.  

 

O oceano de informações instantâneas não nos dá tempo para pensar, mas nos leva a concluir, o que é ruim, pois nos dá a falsa impressão de que somos super-inteligentes, e não somos. É a mesma falsa impressão que temos quando nosso cachorro olha fixamente em nossos olhos; pensamos que sabemos o que ele está pensando, mas não sabemos. Pensamos velozmente demais para o cachorro. A internet pensa velozmente demais para nós. Antecipamos pensamento do cachorro e a internet antecipa os nossos. Nós e os cachorros somos mal entendidos.

 

Acho que estamos precisando parar um pouco no tempo. A mídia instantânea roubou nossa atenção do mundo real, e nos deixou quase nada em troca. O esquecimento tornou-se nosso material de construção e quando terminamos de construir já esquecemos o que estávamos construindo. Os que não se habituaram à difusão de pensamento, como um estilo de vida, têm saudades do tempo da vagareza, quando o que se entendia fundamentava o que precisava ser entendido.

 

A mídia eletrônica para ser útil precisa aumentar o volume de narrowcast (publico focado) produzindo informações que podemos usar, e reduzir o volume de broadcast (tudo serve a todos) de informações que não sabemos e não nos interessa usar. Há algo de falso na instantaneidade de informações inúteis. Muitos já estão em estado de dormência cerebral. O pânico, o caos, a neurose e o desinteresse na internet virão a seguir. O VELOZ ESTÁ FICANDO ATROZ.