Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.
No lar, no trabalho, nas associações é recompensador ser segundo. Desgasta-se menos e ajuda mais. O primeiro só tem tempo para continuar sendo primeiro; o tempo do segundo é praticamente só dele: ele o distribui e o aplica. Pode fazer experiências quase sem risco, aprendendo mais sobre o contexto, sobre os subordinados diretos e indiretos. Quanto mais sabe desses valores organizacionais, melhor serve ao primeiro e mais se realiza. O primeiro assim servido pode mais facilmente manter a bandeira hasteada. Na orquestra, o segundo violino não aparece, mas dá o tom que todos músicos seguem. Penso que em toda minha vida institucional e social tenho sido segundo violino. Nunca tive cargos absolutos a não ser para apoiar e fazer vencer os que tinham. Às vezes me sentia covarde em me conformar às funções do segundo violino quando entendia ter de fato mais méritos que o primeiro, em todas as seis instituições que trabalhei. Eu as estudava mais profundamente que os primeiros. Sabia de cor os lás e os dós de cada partitura. Mas, me adaptava aos erros e acertos dos primeiros. É congruente ao segundo não discrepar do primeiro. Somente assim é um segundo útil à perfeição do concerto. Além disso, o segundo é mestre. É papel do mestre ser desconhecido no preparo dos alunos, e estes quando brilham atribuem a eles mesmos todos os conhecimentos e habilidades demonstradas ao longo da vida. Tem sido assim no mundo em que vivo. Na orquestra e na educação os que mais sabem são os segundos, mas, os que mais recebem os louros são os que aprenderam com eles. Assim, fica subentendido que os primeiros, mais importantes, são instrumentos dos segundos para a construção da sociedade do futuro. No lar, não é muito diferente: o marido deve ser o segundo para a mulher ser o primeiro na construção do futuro.