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jun

16

TEMPO DE REAÇÃO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Tudo que pode ser medido pode ser verificado, comparado, e pesquisado. É preciso mensurações físicas, ainda que sejam produzidas por disciplinas não-físicas. Tempo é uma medida física. O tempo de reação está associado com longevidade, que também é uma medida física. Com qual eficiencia pegamos uma garrafa que cai acidentalmente da mesa a que estamos assentados? Sendo reproduzível, tal eficiencia mediria o nosso tempo de reação. Quanto mais eficientemente captássemos a garrafa cadente mais qualidade teria nosso tempo de reação ao evento.

Tem sido medido que os tempos de reação de sujeitos acima de 50 anos estão associados com inteligencia e longevidade (lizamay@comcast.net). Neste caso, tempo de reação é melhor indicador de longevidade que inteligencia. Sabia-se que os mais inteligentes vivem mais longamente, porque se adaptam melhor aos seus contextos.  Porém, não se sabia que o tempo de reação era um indicador mais eficiente de longevidade. Agora, o estudo reportado por Liza parece indicar isso. É claro que depende de conhecimento, educação e vida pregressa, que resultam em mais rápido processamente de informação.

Teoricamente, se você está no topo de sua saúde física e mental, você precisa de um curto tempo de reação a um evento para ser eficiente, isto é, fazer o que tem que fazer com menor esforço, no menor tempo e no menor custo. Você não é eficiente quando não satisfaz a essas três condições.

Pegar uma garrafa caindo de sua mesa antes que ela toque o chão, preferivelmente sem derramar muito de seu conteúdo, indica que seu tempo de reação prevê longevidade. Tempo curtíssimo de reação é o melhor preditor de vida longa e de QI. Entretanto, não se trata apenas de uma garrafa cadente que é um teste-rigoroso critério, mas de tudo que você observa e requer uma ação.

O que importa é sua aptidão de perceber em pouco tempo o que deve fazer para modificar o evento em ação para sua vontade ou necessidade.

Longevidade é predizível, mas não é garantida. A vida longa depende de outros fatores não associdados aos atributos e habilidades pessoais. Ninguém morre num acidente ou numa guerra por que não soube viver.

dez

1

SHIKATA GA NAI

Por Professor Alexandre do Espírito Santo , Ph.D.

Japão tem hoje mais de um milhão de longevos (de 70 a 100 anos de idade). Reporta-se que o  número de centenários lá também é superior ao de qualque outro país competidor. Por que o assunto interessa tanto, considerando que a longevidade extrema tem duas faces: de um lado aproveita-se mais a vida, e de outro aumenta-se as despesas do governo, e de outro, é uma carga aos descentes em cada família. Pais e avós se tornam quase iguais para as sociedades produtivas e para os netos. Uma família com dois longevos nela precisa de no mínimo dois salários e seguros médicos dos mais caros. Devemos estimular a longevidade? Claro, quanto mais se vive com saúde mais se é útil à sociedade, a si e à família. Ninguém quer viver menos por que beneficia o bem-estar dos filhos e netos. Todo mundo quer viver muito, sadiamente, no Japão ou em qualquer país. Quem consegue, merece viver, independentemente das consequencias aos filhos e parentes. Há algumas explicações para haver tanta gente longeva no Japão e em outros lugares do Planeta. Em alguns é a Meditação Transcendental, comum no Budismo; em outros é dieta adequada a cada individuo; em outros ainda é dieta e exercício; mas pessoalmente acredito em “paz de espírito ou mente”. A mente tranquila prolonga a vida: Shikata ga nai.  Não se preocupar com o que não pode ser resolvido. Imitanto a água corrente de um córrego que coleia pelas pedras da montanha, ele não tenta cobrir a pedra que está em seu caminho, ela a contorna e a deixa no meio de suas águas e segue em frente. Quando seguimos a filosofia implícita no shikata ga nai não nos atormetamos com o que não podemos resolver. Quer seja mudar alguém, a si mesmo, um trabalho ou um destino, envelhecemos inutilmente, quando não temos força, habilidade, ou paciência para mudar. Caimos no remanso da vida, que nem sempre é vitória, mas sempre é duração. Durar é a meta, quando se quer ser longevo.