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ago

18

SOU MENTALISTA, E VOCÊ?

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

A desinencia ISTA identifica a pessoa praticante ou usuario da ação, estado ou oficio sugeridos pelo substantivo ou adjetivo que os precedem. Assim o é com centenas de vocábulos nas linguas portuguesa, espanhola, e italiana, pelo menos.

Nesse quadro, mentalista seria a pessoa que usa a mente para gerar produtos mentais não-corriqueiros, conhecidos ou desconhecidos. Não chamaria de mentalista a pessoa que usa a mente para expressar o banal, o comezinho e o correntio.

O que mais aprecio no mentalismo, na acepção que lhe dou, é a expressão buscada na mente-arquivo de conhecimentlos incomuns. O mentalista não se acanha de demonstrar que sabe o que sabe ser verdadeiro, correto, e sincero. Pretende experimentar as hortas em que semeia. Se a semente é de alface, pensa colher alface e não cenoura. As hortas precisam reciprocar às qualidades das sementes.

A pessoa mentalista escreve mais do que fala. Verba volant, scripta manent. Pensa muito no que vai dizer, depois diz, e depois diz que disse. A sua qualidade mental quer que seja transparente. Ignorantes, sábios e intelectuais devem reconhecer sob todos os ângulos o que ele diz.

O mentalista não teme estar errado. Ele sabe que em muitos eventos da vida, o único premio de se estar certo é não ter o castigo de estar errado. Se você andar erecto não parecerá mais moço nem mais atraente, mas se andar curvo parecerá mais velho e mais feio, e muito menos atraente.

ago

9

FALSIFICACIONISMO

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Esta é uma doutrina originada com Karl Popper que sugere podermos apenas refutar (falsificar) teorias. Jamais podemos confirmá-las. Uma boa teoria é aquela que temos repetidamente, sem sucesso, tentado desprovar ou tornar falsa. Por corolário, quando pensamos que nosso raciocinio confirma uma teoria, ela não é sólida ou boa.

Um bom exemplo de uma teoria que podemos apenas refutar é a da existencia de Deus. No esforço de prová-la apenas acumulamos evidencias para sugerir que a hipótese da não existencia é falsa. Mas, não conseguimos provar de fato a existencia, a não ser de forma subjetiva, que não é o caminho da ciencia. Nada nos impede, todavia, de testar varias hipóteses.

O que tenho aprendido é que teorias com muitas explicações são mais vezes falsas que verdadeiras. A doutrina de Ockham (navalha de Ockham) nos ensina a parcimonia, isto é, a teoria com menor número de preditores para explicá-la é a melhor. Veja o caso da teoria dos signos, pela qual indivíduos têm certas características psicológicas segundo dia e mês de seu nascimento. Nenhuma de suas dezenas de variáveis pode ser medida ou identificada operacionalmente. Falta-lhe parcimonia científica.

Ela se funda numa teoria antiga, facilmente falsificável, segundo a qual o dia do nascimento era influenciado por certos astros coincidentes naquele dia. É claro que é obscurantismo que vem das práticas avoengas, em que se buscava interpretar o destino da criança com a posição dos astros naquele dia. Nem mesmo chega a ser uma teoria; é uma simples crença.

Contém muitas variáveis ortogonais, isto é, incorrelacionadas. O número de amostras costuma ser neste caso insuficiente para um teste de hipótese estatística, provendo inferencia estatística. Em geral, a busca de confirmações de tais teorias (hipóteses) não constitui verdade científica, pois elas podem ter sido obtidas por acaso. Logo, de confirmação impossível.

jul

26

QUANDO PARAR DE LER

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Quando chegamos naquela fase da idade e da vida em que, dentro do assunto que sempre nos interessou, não nos parece estar aprendendo o que gostaríamos ou nos interessando pelo que lemos.

Além disso, ler é pensar o que outro pensou e escreveu. Para que nos serve? Em que contribuimos? Todo ato intelectual tem que ser uma contribuição para si mesmo ou para outros. Não sendo uma coisa nem outra, ler pode ser uma completa falta do que fazer de útil para si ou para outro.

Não lendo temos mais oportundade de gerar algo próprio, um pensamento possivelmente jamais pensado. Deve ter sido raciocínio semelhante que levou Robert Musil (bibliotecario) a escrever “The man without qualities”. Qualquer livro que se leia é uma distração: dis+tract que é “sair da pista”, isto é, sair do real ou da realidade. Tivéssemos nós o necessario treinamento para pesquisar em profundidade o próprio pensamento quase nada precisaríamos ler, depois de termos vivido seis décadas de auto-edificação.

Não sabemos quanto que o que lemos pode conflitar com o que poderíamos pensar sem ler no mesmo assunto. O cérebro tem, através do subconsciente, ínvios caminhos para chegar a resultados semelhantes ao que chegaríamos utilizando o consciente.

Um ótimo exercício e entretenimento de camadas intelectuais seria discutir o assunto do livro que não se leu. Umberto Eco estruturou “O Nome da Rosa” em torno de um livro perdido que nenhum dos personagens tinha lido, mas sobre o qual vários tinham pensamentos bem formados. Dado um assunto não-técnico a um adulto ele pode discutir um livro que o contém, como se o tivesse lido. Alguém disse que livros são como pessoas, que nos podem ser desconhecidas, ou de quem não ouvimos falar, ou apenas encontramos casualmente numa festa, mas jamais realmente conhecida.

jul

22

SABEDORIA, PARA QUE SERVE?

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

SABEDORIA é um coletivo de saber de qualquer sorte. Nesse sentido, todos somos sábios. Tem-se sugerido que a neurobiologia da sabedoria pode envolver um balanceamento ótimo entre regiões mais primitivas do cérebro, tais como o chamado sistema límbico, e as mais novas regiões, principalmente no córtex pré-frontal.

Entretanto, sabedoria – o coletivo de saber – somente se manifesta quando vamos além da interpretação do comum. É uma síntese do conhecido, geralmente surpreendente, que somente o indivíduo sábio sabe fazer.

Há uma tendencia nos sábios serem pessoas de poucas palavras. Quando muito se fala, pouco se credita à sabedoria do falante. É natural que, para não falar o desnecessário, é preciso falar pouco. A Natureza nos deu dois ouvidos e uma só boca. Daí ser ouvir pacientemente o que o outro fala o mais claro sinal de sabedoria. Há mais sabedoria no ouvir que no falar, numa situação de diálogo normal.

Mas, para que serve a sabedoria? Ela é uma condição em que se sabe mais do que se fala. O falado é apenas uma sugestão do que poderia ser falado, que o interlocutor interpreta à sua maneira. Quando a sabedoria é aceita, o interlocutor a enaltece. Quando não, emudece, como se sábio fosse.

Porém, o sábio escolhe não falar o que sente que pouco ou nada vai acrescentar ao interlocutor. Quando o sábio escreve, todavia, não pode fazer esse pressuposto. A sabedoria, à maneira antiga, é essencialmente oral. Quem a ouve com profundo respeito nunca mais a esquece. Incorpora-a à própria vida.

jul

19

FUTURE IS NOW

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

I´m sure

Life is unsure

Insecure

Vulture

Of all I´ve lived

Most have vanished

As wind passed

Through my hair

In the open valley.

I regret nothing

For I lived for

The future that´s now,

And I don´t know

What to do with it.

jul

19

AUTOCONFIANÇA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Quando se está em sintonia com a vida que se tem e com o futuro que se quer ter, nossa primeira preocupação deve ser cuidar de ter SAÚDE.

Quando se quer realizar na vida o que se planeja e se cogita para si e para outros, a segunda preocupação deve ser a de ter TEMPO.

Quando se prioriza ter alguns bens, saúde e tempo para ajudar outros a se realizarem, a terceira preocupação deve ser a de ter DINHEIRO.

Quando se quer fazer bem a muitos, sem interesse particular para si mesmo com a saúde, tempo e dinheiro, a quarta preocupação deve ser a de conseguir POPULARIDADE.

Quando se quer orgulhar os familiares e ser exemplo de como usar para o bem a saúde, tempo, dinheiro e popularidade, a quinta preocupação deve ser ter BOA APARENCIA.

Quando se planeja viver muitos anos com saúde e tempo para os outros, com dinheiro, popularidade e boa aparencia, a sexta preocupação que todos devemos ter é garantir SEGURANÇA NA VELHICE.

Quando você já conquistou saúde, tempo, dinheiro e popularidade com boa aparencia e meios para se sentir seguro na velhice, então sua sétima preocupação será a de buscar RECONHECIMENTO de outros.

Quando a saúde, o tempo, o dinheiro, a popularidade, a boa aparencia e a segurança na velhice forem conquistas já consolidadas, então terá chegado o tempo para se ter a oitava preocupação: a de viver com o máximo CONFORTO.

Quando tudo de que você precisa para viver sadiamente e o conforto já fizerem parte do dia a dia de sua vida, sem exigir de você nenhum esforço especial para mantê-los, então sua nona preocupação deverá ser o gozo organizado de merecido LAZER.

Quando reconhecimento, conforto e lazer forem inegáveis e percebidas conquistas de que você se orgulha e a ninguém incomoda, você estará preparado para a décima preocupação, que é fazer alarde de suas maiores REALIZAÇÕES.

Tendo todas essas dez vindimas prontas para a colheita, o seu único trabalho, sua única ambição, é manter a saúde, algum dinheiro, e muito tempo para dar e receber, sem qualquer censura, uma CRESCENTE SATISFAÇÃO DE VIVER.

Assim se chega à meta de muitos e à realização de poucos, que é chegar à aurora da velhice com saúde, boa aparência, conforto e satisfação, gozando na sua comunidade as sutis recompensas do PRESTIGIO PESSOAL.

A vida no Planeta estará então se encerrando, e sua vida será doce lembrança de tudo que começou na criança que soube subir os dez degraus que levam o homem ao topo da existencia útil aos próximos com amor e AUTOCONFIANÇA.

jul

16

SINGULARIDADES

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Singularidades ocorrem em lugares de corte, de mudança repentina, como na formação de rachaduras, quando um raio acontece, criação de gotas de tinta em impressoras, de algo que cai. Essas mudanças repentinas exigem técnicas matemáticas sofisticadas para descrever, analisar e predizer.

Um Seminário organizado pela European Science Foundation em Paris, em janeiro de 2008 tentou reunir experts em vários campos de singularidades, da astronomia a nanociencia – o estudo de estruturas em escala atômica. O objetivo era desenvolver abordagens matemáticas comuns ao estudo das singularidades. Verificou-se que em grande magnitude os eventos singulares se parecem. Compartilham uma propriedade-chave conhecida como auto-similaridade, mas também aspectos únicos que requerem estudos especializados.

A teoria das singularidades é matematicamente complexa. Não sei o bastante sobre ela para torná-la uma Trivia. Todavia, venho estudando, sem conseguir me aprofundar, um ramo dela é a “teoria da catástrofe”, desenvolvida inicialmente pelo matemático francês René Thom, e expandida pelo matemático inglês Erik Zeeman. Aprendi que a “teoria de Catástrofe” lida com eventos no espaço e no tempo, tais como colisões entre duas fontes de ondas. Mas, nem todos problemas das singularidades são tão simples.

Acredito que pessoas desenvolvidas apresentam mais singularidades que eventos naturais, porém são incapazes de mostrá-las em toda sua naturalidade.

jul

5

VENDENDO ESPERANÇA

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Embora “esperança” seja produzida sem limites pelo individuo que deseja tê-la, sua venda é anunciada pelas mais insuspeitas fontes da sociedade. As igrejas tradicionalmente a vendem ao povo e arrecadam milhões de moedas que são empregadas para ampliar suas capacidades de venda.

Ontem ouvia por alguns minutos um pastor na TV Bandeirantes. Vendia a salvação da alma. Todas as igrejas ocidentais fazem isso. Aprenderam com as orientais, que são mais antigas nessa prática. O fato é que ter sucesso na venda de esperança é uma busca incessante em mais de 50% de todos esforços de venda. Ela não é uma mercadoria, pois o individuo que a compra já a tem ou pode ter na quantidade que desejar, sem nada dar em troca. Também não é uma abstração, porque não pode ser inventada por quem a quer ter. Diferentemente de desejo, que requer um objeto dele, a esperança pode ser vaga ou imperfeitamente caracterizada. Apesar dessa virtualidade, a esperança é vendida, como se concreta fosse.

Às crianças dizemos para terem esperança no futuro, aos velhos que sonhem com uma vida longa, e aos crentes, que verão a Deus. Todos esperamos que nossos sonhos se realizem. A esperança é a última que morre, dizem. Mas, por que somos tão obcecados em ter esperança? Seria por que a vida está no futuro e dele pouco sabemos? A esperança é de um amanhã igual ou melhor. A esperança está sempre no futuro. Não esperamos o hoje, sabemos existir. Não cabe no que está acontecendo. Ela tem a ver com o desconhecido, com o nosso descontrole dos eventos.

Não somente a boa ventura esperamos do futuro, esperamos saber controlar os obstáculos à nossa felicidade. Talvez por isso esperança tenha que ser vendida.

jul

5

NIHIL NOVI

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Nihil novi sub soli. Há centenas de anos tem sido assim. Nada ou pouco muda no contexto geral. Apenas para o transitório indivíduo algo muda, mas ele não tem consciencia da mudança. Por que ele é a própria mudança. A Copa Mundial de Futebol está terminando. Os times ganhadores não são os mesmos, mas obedecem a um ciclo que desconhecemos. Alemanha e Holanda são candidatas para a partida final. As surpresas serão por conta do acaso. Em toda competição em que o esforço humano é honestamente confrontado, existe o acaso como palavra final. O esforço humano é impredizivel. Nunca se sabe da mão do acaso quando duas forças iguais competem pelo mesmo resultado ganhador. O perdedor deveria ter igual mérito. Afinal, sem ele, não haveria um campeão.

Nada de novo na Copa Mundial de Futebol. Os times vão se eliminando para chegar aos dois vitoriosos finais, como era entre os gladiadores romanos em outros tipos de lutas. Dois mil anos se passaram e tudo parece muito igual. Por que somos tão pouco criativos? Seria por que a mente coletiva tem um limite, além do qual não vai¿

Por que nos acomodamos às experiencias do passado? Seria devido a nossa incapacidade de criar o futuro? Por que o futuro nos é oculto? Seria o acaso ou Deus o mentor do futuro? Sendo o futuro predeterminado pelo passado, por que sabendo não sabemos o futuro?

Seria por que somente temos de fato o passado, que mesclando-se com o futuro não é de fato o presente?

OU seria o passado e o futuro a mesca matéria?

jul

5

DERROTA DA SELEÇÃO NACIONAL

Por Alexandre do Espírito Santo, Ph.D.

Derrota da seleção brasileira seja contra Espanha, Argentina ou outra nação na Copa de junho é uma vitória para o futebol. A continuidade excitante de um esporte internacional depende da variedade dos ganhadores. A contínua dominancia da seleção brasileira torna o futebol menos e menos atraente para outras nações. Ainda não foi, mas um dia pode ser o declínio do interesse pelo futebol em outras nações. Este interesse em termos mundiais é mais importante para o destaque do esporte que mais uma vitória esperada e repetitiva. Gostaria que um país africano vencesse nesta Copa 2010. O futebol continuaria atraente a todas as nações. É mais importante a atração contínua de todas nações pelo futebol que a glória do hexa para o Brasil. Gostaria de ver maior número de nações sonhando com o título de campeão mundial. A dominancia do Brasil vai tornando cada vez mais essa atração. Logo tentarão inventar um outro esporte em que os mais fracos tenham igual chance. Então o futebol ficaria menos internacional. É mais importante salvar o esporte que a glória repetitiva de uma só nação. Afinal o futebol é internacional ou é propriedade do Brasil? Concordo que todas as nações devam aspirar a um título difícil. Mas, a repetição quase constante de qualquer o diminui, porque reduz interesse na competição. Quando jogava ping-pong não mais conseguia parceiros entre o reduzido número de amigos que desejavam disputar comigo. Perdi eu e perderam os amigos com a oportunidade de jogar. Qual o interesse de vencer sempre? Em pouco tempo já não tinha parceiros e minhas habilidades foram diminuindo. Deve ser assim que um esporte perde a evidencia. Não convém à pessoa e não convém ao esporte.